sexta-feira, agosto 26, 2005

Colónia - 0 (actualizado com fotos)

Levantar (ainda em Budapeste) às 5h 30 - o táxi demora 40 minutos até ao aeroporto; check-in as 7...
É tudo muito cedo e a "bica" no aeroporto volta a ser uma aguazinha a saber vagamente a café...

Ontem à noite estive a estudar o mapa e penso que não vai ser tão fácil, como tem sido o costume, chegar ao hotel: é que fica longe do centro... Vamos ver o que acontece...



17h (em Colónia)
Não cheira a água!

Afinal cheguei facilmente ao hotel; embora afastado do centro nada de transcendente com o eficiente sistema de transportes que por aqui existe.

Esta passagem por Colónia tem a ver com a incompatibilidade de horários de aviões - "apenas" 10 minutos separam a chegada de Budapeste com a partida para Lisboa: não dá! Então, já agora, pelo menos um dia em Colónia, e não apenas uma noite.


Quando, depois do ritual costumeiro nos hoteis, volto para o centro da cidade, saio, do metro, na estação mais central e sou "esmagado" pela Catedral. Enorme.

Köln (Cologne) - the Cathedral at nightfall


Gigantesca. (pena estar em grande parte negra pela poluição; pena ter uns andaimes (aqui e ali) para limpeza...

Dou um passeio pela "baixa" que me leva ao Reno: é um nadinha mais azul que o Danúbio... (mas este não tem nenhuma valsa a dizer que é azul...)

Köln (Cologne) - the Rhine

Cidade que vou tentar perceber melhor amanhã. Uma volta pela "baixa" não dá para perceber uma cidade.

Boa noite!

quinta-feira, agosto 25, 2005

Budapeste - 3 (actualizado com fotografias)

Último dia em Budapeste - parto amanhã muito cedo: 7 da manhã no aeroporto.

21h35 (a quente)
Quando cheguei ela canta um "rap", passou depois para uma cançoneta dos anos sessenta - quando anunciou apenas percebi "Brigitte Bardot" - encadeou depois com qualquer coisa dos anos 30... Seguiu por aí fora, variando de estilo e de época.
Estou num pequeno anfiteatro no meio de um jardim - o publico é de todas as idades e proveniencias.

Budapest -

(agora algo que faz lembrar a Juliette Greco)
A rapariga esforça-se por agradar acompanhada por um baixo, bateria e teclas - mas não é "grande espingarda". Acaba por ser mais o ambiente que as qualidades interpretativas da rapariga que fazem a magia deste princípio de noite.
Termina dizendo umas coisa em húngaro que o publico aplaude (o que entende esta lingua estranhissima...)
Outro grupo prepara-se para actuar.

É um jardimzinho simpático - fez-me lembrar a Gulbenkian (em mais pequeno) - já que está muito bem organizado, tem algumas obras escultóricas espalhadas, um pequeno auditório subterrâneo e este pequeno anfiteatro ao ar livre onde me encontro. Dei por ele no primeiro dia; passei por cá agora por acaso a seguir ao jantar.

Budapest -

O grupo seguinte demora demasiado a preparar-se. Demais. Talvez passe por aqui mais tarde...



17h30 (do Diário de Bordo)
Como que para despedida, esteve um dia de sol e calor (27ºC). Desci devagarinho (este "desci" é uma força de expressão, já que Peste é quase plana) até ao rio, atravessei o Danubio - um nadinha azulado lá longe...

Budapest - Lánchíd (Chain Bridge)

Buda e Peste foram até meados do sec XIX duas cidades separadas pelo rio, até que a primeira ponte fixa foi construida - a das "correntes" (quando os pequenos guias turisticos falam de "ponte fixa", eu presumo que antes tenha havido outro tipo de pontes; talvez uma ponte das barcas como no Porto...). Depois foram-se construindo mais pontes - sete, conto no meu mapa de algibeira.

Peste contrasta com Buda; parece-me mais desinteressante - não subi (agora literalmente) ao castelo, mas a volta que dei por esta parte da cidade deu para perceber que é menos cosmopolita, menos "chique", mais "dormitório" (posso estar enganado: nao é com um passeio de uma manhã que se pode ficar com certezas). Muito mais habitação construida depis da guerra sobretudo dos anos 60/70: incaracteristica, monótona, embora de quando em vez quebrada por um quarteirão que podia estar em Peste.
Cidade curiosa, Budapeste: "Paris" de um lado, no meio o Danubio atravessado por pontes de diversos estilos, do outro uma como que "Alvalade" (obviamente diferente) como outra qualquer "Alvalade" de outra cidade qualquer...

Budapest - Buda side

De tarde, como o dia se manteve estupendo, resolvi aventurar-me, depois de ter atravessado o rio novamente, por Peste dentro; continuação dos "grandes boulevards", mas à medida que me afastava do centro, cada vez mais habitação para "operários" (anos 70) desembocando num enorme parque apelidado de "Parque do Povo".

É tarde. Já não volto ao anfiteatro do jardim.

Budapest - evening at Petörfi S. út

Boa noite!

quarta-feira, agosto 24, 2005

Budapeste - 2 (actualizado com fotografias)

(do Diário de Bordo)
16h15
Ainda no Museu de Arte Antiga. Dou por finda a visita, entrei pouco antes da 1h. Sento-me, agora, num confortável cadeirão do grande hall (brilhante ideia, a de espalharem cadeirões e fazerem do hall uma espécie de salão de 'repouso').

Ficou por ver a galeria greco-romana, as salas de pintura espanhola e italiana (outra vez? - já em Viena...)
Comecei por uma exposição temporária de gravuras do Dürer e seus contemporâneos

Budapest - Dürer's exibhition

interessante o que se fazia na altura na Alemanha: gravuras que coladas umas às outras formavam painéis monumentais, a tentar rivalizar com as grandes construções escultóricas italianas...
Uma rápida passagem pela secção dedicada ao Egipto - alguns túmulos de faraós, múmias, peças funerárias.
Depois a ala dedicada à pintura flamenga - continuação do Museu em Viena (?????). Estranho logo, o primeiro quadro: brancos muito brancos, linhas mais vivas, cores mais definidas, uma outra luminosidade, (ao perto: as pinceladas são bem perceptiveis). A "iluminação" deste museu também nao será a melhor... por vezes a luz é reflectida no vidro ou no verniz do quadro. Será da iluminacao, esta sensação estranha? Quase que garantiria que o quadro terá sido restaurado recentemente...
Continuo. De facto a luz do museu é mais intensa que a do museu em Viena, o que torna os quadros mais "luminosos". Quase que estou perante uma "outra pintura". O olhar habitua-se. Mas de vez em quando lá aparece um quadro ainda mais "luminoso" - começo a convencer-me cada vez mais do restauro de alguns.
Poucas obras dos "grandes nomes" da pintura flamenga (comparado com Viena), mas agrada-me o que vejo.

(continuado no dia seguinte já num teclado "internacional")

Um quadro desperta-me a atenção pelo insólito - o Cristo (a figura habitual que poderia estar em qualquer Igreja) "pousando" no atelier de uma pintora (deve ser caso raro - uma pintora no sec.XVI...), a cuja olha para a figura do Cristo mas pinta o Jesus recém-nascido, com Maria e José, adorado por pastores! Perfeitamente insólito: o modelo e o quadro, e ainda o facto do pintor ser uma pintora!

Finalmente ao fundo da última sala, a revelação do que me intrigava. Uma caixa para recolha de fundos e uma explicação (felizmente tambem em inglês): alguns quadros foram restaurados (segue a lista dos principais patrocinadores) e pede-se que o visitante contribua com algum dinheiro (a entrada é gratuita) a fim de se puderem restaurar mais uns tantos que não devem ser expostos devido ao seu estado de degradação.


17h45
Sento-me na esplanada "do costume".
esteve um dia sem chuva, mas com um céu cinzento; 17ºC ao meio dia (indicava um termómetro de rua). Andei todo o dia de anorak para a chuva na mochila debalde!
Fui passeando até ao museu, mas eis que ao virar da esquina a seguir ao cafe é que é mesmo o grande aparato: Caramba, agora sim! Filma-se!

Budapest

O quarteirao da rua esta cheio de carrinhas e camioes de catering, no quarteirão a seguir são roullotes, carrinhas e camiões de guarda-roupa, depois são os do material: só da Arri são seis, mais dois geradores igualmente da Arri... Isto é Hollywood transferida para Budapeste: quase toda a gente na rua de identificação ao pescoço. Um quarteirão encerrado pela polícia e por segurança privada. Não me entendo com um segurança de grande "caparro" que não me deixa fotografar o "back-stage". Aparece um tipo que fala igualmente inglês (da produção, certamente) - acaba por me dizer que não posso fotografar para o "set", mas que uma fotografia do aparato posso fazer "One picture only!". Ok, tenho o que queria.

Sigo para o Museu. Dou de caras com um mercado de construção bastante recente: linhas e cores alegres e atractivas.

Budapest - Market at Lehel tér
(ao que parece não é do agrado geral...)

Budapest - Market at Lehel tér

Entro. Quer por fora quer por dentro muito bem "esgalhado". Compro provisões para o almoço.

No caminho para o Museu um tipo - talvez da minha idade - desmonta de uma bicicleta e pergunta-me se falo inglês; quando lhe digo "a little bit" ele "responde, com um largo sorriso: "Oh my god! I love you!" Fartamo-nos de rir. É canadiano e quer saber se está na direcção certa para o Museu. Falamos um bocado e trocamos algumas impressões sobre as nossas viagens: ele veio com a mulher e filha de avião até Viena e depois fez o resto de bicicleta.
Acabo por saber, por ele, que em Portugal os fogos persistem...

O museu (por fora a lembrar o British, o de Berlim ou o de Viena - neo-clássico)

Budapest - Szépmüvészeti Múzeum (Museum of Fine Arts)

situa-se à beira de um enorme parque onde se encontram ainda mais uma série de palácios

Budapest - Városliget

outros pequenos museus e até termas para banhos (em funcionamento)...

Budapest - Városliget - Széchenyi baths
(é suposto não se puder tirar fotografias...)

Aproveito que não chove para dar uma volta.

Dou por uma exposição estranha: cartazes de publicidade forjada (como não percebo patavina de húngaro, apenas posso achar piada aos que não têm slogans...)

Budapest - Fake advertising exhibition
(venho posteriormente a saber que é um concurso)

É que depois da chuvada de ontem parece um sacrilégio enfiar-me num museu. Acabo por almoçar no parque e resolvo finalmente visitar o Museu de Arte Antiga.

Boa noite!

terça-feira, agosto 23, 2005

Budapeste - 1 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar)

Se o jantar de ontem estava óptimo o de hoje excedeu todas as expectativas. Amanhã volto ao mesmo sítio.


Uma manhã excepcional. Céu limpo, sol radioso - o dia promete um bom passeio pela Budapeste desconhecida.
Confirmo a impressão de ontem à tarde: cidade cosmopolita, grandes avenidas, movimento, lojas, gente.
Nesta parte de Peste (margem esquerda do Danúbio) a arquitectura dominante ainda é, sobretudo, a do principio do sec.XX (dai fazer lembrar os "grands boulevards" de Paris).

Budapest

Pena haver alguns prédios (e não tão poucos) degradados, mas percebe-se que tem havido alguma reabilitação.
De repente o céu fica coberto de nuvens cinzento carregado (nunca tinha dado por mudança tão brusca) e desata a chover a cântaros.
Como estou à porta de uma loja de discos (oh, divina providencia!) entro. Entretanho-me a "bisbilhotar"; espanto: os CDs de origem húngara são mais caros que os das editoras internacionais...

Sinto igualmente na cidade um reconhecimento pelos músicos que por aqui passaram ou viveram (os da clássica, bem entendido!): placas nas fachadas dos edificios, pequenos ou grandes bustos ou monumentos a lembrar Liszt

Budapest - Ferenc Liszt Music School
(claro: Liszt, húngaro a 100%, com direito a busto no Conservatório de Música!)

Bartok, Erkel e tantos outros; mas não faço a mínima ideia do porquê dessas homenagens - as placas estão em húngaro, língua que é me completamente estranha, nem por aproximação vou lá... Porquê uma placa ao Wagner? porque dormiu nesta casa? terá composto algum trecho de ópera aqui? (inclino-me mais para a primeira opção...)

A chuva parece abrandar, aguardo mais uns minutos e de súbito novamente céu limpo e sol. Continuo o passeio a desvendar Buda. Chego à ponte das "correntes"

Budapest - Lánchíd (Chain Bridge)

- não faço a mínima ideia da tradução literal, o mapa em inglês chama-lhe "chain bridge".
(Mais tarde fico a saber que a tradução é mesmo literal; os húngaros chamam-lhe igualmente "Ponte das correntes")


Nem aqui o Danúbio é azul! (Viena, Bratislava e agora Budapeste)

A seguir ao meu almoço com vista para a ponte da "liberdade" - a que eu gosto mais

Budapest -

o céu volta a encobrir-se e recomeça a chover a sério; abrigo-me num portal. Quando amaina um pouco aventuro-me mais além; ao fim de meia hora, penso que não foi para apanhar chuva que vim ate Budapeste. Olho o mapa e percebo que estou perto do "Museu de Artes Decorativas" (não estava nas minhas intenções, mas porque não?). A chuva é miudinha mas persistente. Quando volto a esquina para a rua do museu: grande aparato - projectores potentissimos montados em gruas iluminam umas janelas do 2º andar do Museu

Budapest

já percebi: filmam... e o museu está encerrado ao público (óbvio!) - um alemão nao deixa de desabafar um "Scheise!"

Chego ao hotel; sinto-me húmido da cabeça aos pés; tomo um duche, mudo de roupa e sinto-me outro.

Penso num possível sítio abrigado - museus, já não vale a pena (passa das 4h). O "maior shopping da europa"... (se eles o dizem... Todas as cidades têm o seu "maior" ou "mais significativo" qualquer coisa...)

Budapest -

Vamos a isso. De facto é enorme; as lojas de marca do costume, mais umas tantas outras, cinemas, cafés, restaurantes, casas de jogo, livrarias... o costume...
Ao fim de uma meia hora dou que já não chove. Saio.


Uma rectificação ao que ficou dito ontem: esta gente ainda nao é completamente eslava - muita dela tem traços aciganados; estou mais uma vez numa qualquer fronteira...


20h
Encontrei uma "tasca" que não me parece nada mal; encomendei a tradicional "gulyas leves" (sopa de gulash) e outro prato tradicional frango com chouriço (húngaro; tem muito pouco a ver com o português) e paprika... Yummy! Yummy!


Se amanhã estiver de chuva (a previsão metereológica assim o prevê) vou ao Museu de Arte Antiga - museu que não quero perder.

Boa noite!

segunda-feira, agosto 22, 2005

Budapeste - 0 (actualizado com fotografias)

Acabei de jantar à meia hora, já bebi dois cafezitos (acabei por encontrar qualquer coisa de parecido...) e ainda tenho a boca completamente a arder... Foi na "mouche": "Gulash suppe" e "Ungarische paprika" estava óptimo.

(ainda no comboio para Budapeste - do Diário de Bordo)

Train from Bratislava to Budapest

No compartimento vazio e já em terras magiares (porque é que mal o comboio entrou na Hungria passou a andar mais rápido?) lembro a viagem de Praga para Viena: a meio entra um grupo americano - família numerosa que se reparte por vários compartimentos - à minha frente senta-se a mãe da familia (quarentona), mete conversa comigo a propósito do arrumo das malas; e logo: "Oh! I'm so excited! It's my first time in a train!" e logo de seguida segue com um comentário de que deveria ter tido aulas - "some lessons" - sobre como andar de comboio! Controlei-me para não dar uma gargalhada e desvio a conversa... donde são, para onde vão...

São de facto uma gente estranha.
Uma noite em Viena, no NetCafe, entram dois americanos; um senta-se a um computador, o outro, ao balcão, na outra ponta da sala, a uma mesa; eu quase nem dou por isso; a pouco e pouco vou-me sentindo desconcentrado (é que para além da falta de acentos e cedilhas algumas teclas não estão no sítio do "costume") - o raio do americano sentado ao balcão vai berrando para o outro instruções: "Agora faz assim"... "Isso, agora assado"... "Estúpido! isso não, volta para traz"...
E não levantava o rabo da cadeira onde estava para ir ter com o outro. Não me contenho e berro-lhe (sim: berro!) "Not so loud, please!" - o tipo olha para mim com o ar mais aparvalhado do mundo durante uns bons cinco segundos, até que, finalmente, percebe. Vá lá, acabou por se render as evidencias, e: "I'm sorry about that". Levantou-se e foi para junto do outro. Acabei por actualizar o blog em paz.


18h30 em Budapeste
Sinto-me numa grande cidade, outra vez!
Sem desprimor para Bratislava que continua a ser uma cidadezinha simpática para visitar (dois dias para mim foram suficientes); apenas a parte antiga da cidade despertou o meu interesse; dizem os eslovacos que os checos (quando existia a Checoslovaquia) levaram tudo o que tinha interesse para Praga, daí as poucas obras de arte existentes em Museus (apenas tive conhecimento de um, que nem sequer visitei).

Mal saí da estação de Budapeste

Budapest -
(a mítica estação de onde saía o mítico "Expresso do Oriente")

(escolhi sempre hoteis relativamente perto das estações) mergulhei numa grande avenida, com trânsito intenso, e cheio de pessoas atarefadas; quando voltei a primeira esquina pareceu-me estar em Paris: avenida larguissima, árvores a bordejar os passeios, arquitectura semelhante, vida intensa.
Em 10 minutos estava no hotel. Tinha saido de Bratislava com chuva, cheguei a Budapeste com sol.

Meia hora depois estava novamente na rua (seria mais apropriado dizer "boulevard"?). Estranha sensação: parece que estou em pleno Paris e não estou...

Budapest - Andrássy út

Não tenho culpa! A meio do "boulevard" apanho com a Opera! Edifício neo-clássico, (o habitual para uma Opera); um pormenor chama-me a atenção: de cada lado da fachada principal, e sempre em estilo neo-classico, uma esfingie

Budapest - Opera house

um nipónico (assim me parece) faz-se fotografar pela mulher a apalpar as mamas à esfingie...
Uns metros mais abaixo, do outro lado da avenida (do "boulevard"?) uma intensa luz de dia sobressai no lusco-fusco que cai sobre a cidade. Nem aqui? Uma equipa de cinema ilumina o interior de uma loja onde se filma (presumo) uma publicidade... Os materiais e aparato do costume...

Budapest

A "sorok" (cerveja) húngara nao tem um travo tão acentuado como a checa; é bastante agradável, sabe mais a malte (assim me parece).

Vou tentar um "gulash" para o jantar - penso que nao vai ser difícil.... A ver vamos...


Pelos vistos não foi!|
Amanhã vou começar a desbravar Budapeste.

Boa noite!

domingo, agosto 21, 2005

Bratislava - 2 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar)
Chove, novamente a cântaros, e não tive outra alternativa senão a de vir para o hotel. A internet é de borla, mas tive de esperar um bocado pela minha vez e, parece, haver já mais um tipo à minha espera - passo ao essencial.

Bratislava - Old town


(ontem ao jantar)
Assumi-me, claramente, como turista (como todos os outros) e resolvi "abancar" na esplanada de um restaurante na praça principal e pedir um prato "mesmo" eslovaco. Isto deve ser como um tipo sentar-se no Nicola ou na Brasileira e pedir um "Bacalhau à Braz" ou um "Cozido à portuguesa"...

À tarde tinha visto uns restaurantes no mercado principal; pensava lá ir jantar. Mentira. Estavam todos fechados quando lá cheguei. Se por acaso amanhã, domingo, estiverem abertos, é onde venho almoçar.

Mas não me arrependo. Uma espécie de WienerSchnietzel (talvez não seja tão eslovaco quanto isso, mas mais vienense...) soube-me bem, sobretudo tendo ao fundo, no palco da praça, um conjunto de jazz com um "ganda" sax a dar "show"! Excelente jazz!

Dou por mim a pensar na diferença entre checos e eslovacos e na sua separação: independentemente das razões económicas que pesaram muito (os checos - mais ricos - sempre acharam que não deveriam "suportar" os custos dos "pobres" eslovacos) encontro razões de outra ordem, mais culturais: os checos mais ocidentais, a penderem mais para o "germânico" (até na aparencia física), os eslovacos claramente na fronteira entre a europa ocidental e oriental - quase eslavos, mas ainda não completamente... Estranho...


(hoje, 19h10)
Começa a cair uma carga de água de todo o tamanho. Por acaso apanha-me numa esplanada coberta - a cervejinha do fim da tarde.

Hoje o dia quase não teve historia. Umas voltinhas de manhã pela parte antiga da cidade: deserta (por ser domingo?). Prefiro-a assim. Passo pelo mercado e percebo que os restaurantes fecham as 9h. Decido então vir aqui jantar, a horas...

Bratislava - Old town

Ao fim da manhã encontro, já fora da "Stare Mesto" (cidade "velha") um grande armazém aberto. Entro por curiosidade. Também tem supermercado - é lá que acabo por comprar os petiscos para o almoço.
Lembro-me que estou a precisar de comprar "slips".
Aqui vai a "petite histoire" do dia.
Secção de roupa para homem: não encontro o que quero. Dirijo-me a uma empregada: não fala nem alemão nem inglês. Digo-lhe "slips" e indico com os dedos o sítio onde se vestem. Sorriso aberto: percebeu!; aponta-me numa direcção e diz umas palavras, para mim ininteligiveis. Ora bolas: fatos de banho para homem... não era exactamente isto que eu queria... não me fiz entender... Dirijo-me a outra empregada; não sou de modas: levanto o polo e puxo uma ponta do "slip" que trago; "Slips?"; e num inglês escorreito ela indica-me onde os posso encontrar...


À tarde resolvi dar uma volta pela cidade "menos turistica" - urbanização e arquitectura incaracteristica e desinteressante (dormitórios).

Bratislava - The right bank of the Danube

Acabo subindo ao Castelo - afinal a grande "atracção turistica" de Bratislava (segundo todas as indicações e guias turisticos).

Bratislava - The Castle's tower

É o tipo de local que não aprecio particularmente. Claro que tem uma vista panorâmica e única sobre a cidade e sobre o Danúbio.



A chuva entretanto passou; vou jantar ao mercado... a ver vamos.


Isto, nem todos os dias podem ser perfeitos, não é?
Afinal os restaurantes no mercado fecham de facto as 9h - aos dias de semana!; sábados e domingos fecham as 7! Cheguei as 8h... Paciencia!
Mais uma vez, como qualquer turista, acabo por ir parar a um restaurante, numa ruazinha da cidade velha; com velinha na mesa e tudo... (os preços aqui são bastante inferiores aos de Lisboa).
Diz o empregado (ele pode dizer o que quiser...) que o peito de pato assado é uma especialidade eslovaca... estou por tudo... venha o peito do pato.

O peito do pato: o molho - especialidade eslovaca ou não - era de facto espectacular (mas não faço ideia dos ingredientes... beterraba vermelha? um tudo nada adocicado...). O peito propriamente dito podia ser menos seco; as batatas salteadas que acompanhavam eram bastante boas, tal como a salada. A conta, no fim, com cerveja e café (ou uma especie de...) excedeu ligeiramente o que costumo pagar na Amadora na tasquinha da D.Fernanda...

Na praça principal um malabarista entretem os turistas.

Bratislava - Fire juggler


Amanhã parto para Budapeste.
Bratislava continua a ser, para mim, uma muito simpática cidadezinha de província.

Boa noite!

sábado, agosto 20, 2005

Bratislava - 1 (actualizado com fotografias)

(13h30 - no jardim onde almocei)
A primeira impressão com que fiquei, ainda ontem à noite, de Bratislava, é que estou numa "cidadezinha de província", mal cuidada, mas simpática. (impressão colhida apenas com o percurso estação/hotel e de um jantarzito - no sítio errado: apenas pizzas e "risotto" - e regresso ao hotel).

A ideia alterou-se, ligeiramente, entretanto; o "centro histórico da cidade" está cuidado (pronto para acolher os turistas, claro!)

Bratislava - Old town

a praça principal tem um palco onde decorrem durante todo o dia acontecimentos diversos: desde danças e cantares folclóricos

Bratislava - Music for tourists

a concertos de bandas filarmónicas, de pantomima a jazz; mais para a noite, ainda jazz e rock.

Bratislava - the weekly program
(vá! entendam o programa...)


Aqui o Danubio também não é azul.


Definitivamente para estes lados nao há "bicas" - por vezes encontra-se qualquer coisa parecida a que chamam "espresso"; a maior parte das vezes não passa de uma água de lavar chávenas...



17h
Tem estado um dia de sol e calor: para cima de 35ºC, pelas minhas contas.
Paro na praça principal da "cidade velha" para beber uma "pivo" (cerveja) eslovaca.

Passeei por esta parte da cidade, atravessei o rio pela chamada "ponte velha", percorri a outra margem - um beira-rio imenso de relva - até à "ponte nova"

Bratislava -
(das poucas fotos que tirei tipo "bilhete postal", até o Danúbio parece azul...)

- uma obra de arquitectura e engenharia arrojada e excepcional; volto à "Stare Mesto" (cidade velha).

Bratislava - Old town

Estou sentado numa esplanada - qual turista austríaco (percebe-se pela pronúncia, e eles são muitos) ou italiano (também bastantes).
No palco há jazz - eu sei que eles tocam para "turista ver", mas percebe-se que há gozo quando tocam: um olhar cúmplice para um outro músico, um sorriso de surpresa por uma brincadeira surgida... Bateria (parece ser a "estrela" do grupo), baixo, guitarra eléctrica, e dois teclistas...
Sinto-me mesmo bem...

Boa noite!

Viena - 4 (actualizado com fotografias)

(postado no dia seguinte em Bratislava, segundo o Diário de Bordo)

(à saída do Museu de Arte Antiga - 16.30)
Bom, ficou por ver a colecção egípcia e do próximo oriente, a colecção de esculturas e artes decorativas, a colecção greco-romana, a exposição das obras de arte pertencentes aos Habsburgos, a colecção de pintura espanhola e italiana e francesa. Então o que vi eu no museu (?) apenas (apenas??????) a colecção de pintura flamenga (2 horas...). Riquíssima colecção; extraordinária "escola" - sobretudo, e para mim, pela luz: as fontes de luz, pela "iluminação" escolhidas pelos pintores (Vermeer!); gosto particularmente dos retratos, mas posso lá deixar de me deleitar com as enormes cenas do Brueghel, onde "pequenos acontecimentos" acabam por encher a tela, um espaço imenso... Impossível falar de todos...
Pena nao poder ficar mais tempo em Viena...

Vienna - Karlsplatz


Vienna - Karlsplatz


Vienna - Mozart memorial


Vienna - Kunsthistorisches museum


Vienna - Kunsthistorisches museum

(no comboio para Bratislava)
Berlim, Praga, Viena. O que mais me marcou (telegraficamente): Berlim - a arquitectura que foi e está a ser feita depois da reunificação; Praga - a arte na rua e a unidade arquitectónica e urbanistica da cidade; Viena - a quantidade, diversidade e qualidade da oferta cultural.
A voltar, com mais tempo, a qualquer destas cidades.
A recomendar com urgência.


Ironia / entro na Eslovaquia a ler o "Le Monde"... Ainda em Viena, não sabendo nada do que se passa pelo mundo fora, acabo por comprar um jornal... Calhou o "Le Monde"... (parece que Portugal ainda existe: não há notícias sobre o rectângulo...)



Nota: (já escrita em Bratislava)
As sequelas da II Grande Guerra persistem nas três cidades visitadas. Vem isto a propósito de ainda ontem em Viena ter-me deparado, inesperadamente, no meio de uma enorme praça, no caminho para o Museu de uma especie de "quintal" (grande) rodeado de tábuas toscas, portas velhas, armações de janelas, tudo quanto pudesse delimitar um bocado de terra. No quintal, dividido em "quarteirões", encontravam-se couves, tomates, batatas, cenouras, etc... - dizia a tabuleta explicativa que aquela horta, embora verdadeira, era uma réplica da que existiu naquele local a seguir ao fim da guerra, quando os vienenses eram obrigados a plantar e semear o que pudessem para sobreviver... e tudo isto mesmo ao lado de dois palácios (reconstruidos) e tendo a Catedral ao fundo.
Isto arrepia!

Vienna - Heldenplatz


[Escrevo esta nota em Bratislava, depois de ter passado por um monumento aos "partisants" (os resistentes à ocupação alemã) e depois de ter passado por outro monumento, este, aos "heróicos soldados soviéticos" que ajudaram a libertar a cidade].

Bratislava - Memorial to the soviet army


(Não tenho tempo para mais web por hoje; eventualmente com bastantes erros - não vou perder tempo com a "revisão"; ainda por cima os teclados são ligeiramente diferentes, não só aqui).

Boa noite!

quinta-feira, agosto 18, 2005

Viena - 3 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar e tirado directamente do Diário de Bordo)

Saio do MOMUK (Museu de arte moderna) as 16h e alongo-me num dos muitos bancos que se espalham pelo pátio do MuseumQuartier (bancos de design sui generis: tanto dá para sentar como para deitar como para apenas alongar).

Vienna - Museu Quartier

Está sol; faz calor (acima dos 30 graus). Ha quem venha para aqui como quem vai à praia apanhar sol

Vienna - Museu Quartier

mas também quem traga o portátil e trabalhe (ou assim parece)

Vienna - Museu Quartier

há quem venha namorar ou apenas beber uma cerveja; quem venha "digerir" o que viu num dos museus ou quem venha actualizar o seu "diário" (eu, por exemplo).

Mesmo que fosse apenas por estes dois dias (ontem e hoje): visitas aos Museus Leopold e de Arte Moderna, já teria valido a pena vir a Viena... Mas vai ficar tanto por ver... Amanhã ainda venho ao Museu de Arte Antiga (ao mesmo nivel do Louvre, do British, do Prado...). O comboio para Bratislava so parte as 17h23, donde vou ter tempo.

Como estava um dia esplendoroso, logo pela manhã, resolvi "descer" ao centro da cidade por outro caminho que não o "habitual" (ao fim de dois dias já lhe chamo "habitual"?); de repente dou de caras com o Belvedere (o Versalhes aqui do burgo)

Vienna - Belvedere

atravessei os jardins de ponta a ponta (este tipo de jardins são sempre agradáveis, embora não faça muito o meu estilo); vim calmamente por aí abaixo e... outra surpresa: um monumento (monumental - passo o pleonasmo) "soviético" - erigido à memória dos soldados do exército vermelho que ajudaram a libertar a Austria do "fascismo" (repito de memória o que diz a placa pequena escrita em alemão, a placa maior está escrita em russo). Pois é, a Austria, acabou por ficar ocupada de 1945 a 55 pelos exércitos aliados.

Viena - Memorial to the soviet army


Passeando, com todo o vagar, chego ao Museu às 11h30. Com este tempo tão extraordinário, para estas bandas, é quase criminoso passar umas horas metido num Museu... Mas mais grave seria "perder" o MUMOK (e jé tenho, desde ontem, o bilhete comprado!)

Não vale a pena puxar pela memoria... Kadinski, Picasso, Klimt, Leger, Wharol, Klee, Christo, Rotella, Giacometti, Max Ernst, os hiper-realistas... estão cá todos (e mais os outros) - nem que presentes apenas com uma única obra - e claro, o Magritte (este "claro", tem a ver com uma queda muito especial que tenho por este pintor: não está aqui o "Ceci n'est pas une pipe", mas um quadro que não conhecia "La voix du sang" - se a memória nao me falha - este tipo fascina-me de facto...)
E há ainda videos de happenings dos anos 60/70, e videos experimentais recentes... Isto é demais!

Percebi que o bilhete é valido para o dia inteiro, portanto saio para "arejar" e comer, dar uma voltinha por este complexo de Museus e Galerias

Vienna - Museu Quartier -

defronte do MuseumQuartier há ainda mais dois museus instalados no que foram palácios imperiais e mais um jardim soberbo a separá-los.


Volto ao MUMOK e estou ainda mais hora e meia. Dou por findo o meu "mergulho cultural a grande profundidade" do dia.
Tenho que voltar ao "terra a terra": são horas para ir buscar a roupa ah lavandaria...


(enquanto espero o jantar)
Vamos lá ver se hoje me safo! De fora o restaurante, defronte da estação de comboios) pareceu-me "verdadeiro" (isto é, para consumo do austríaco comum, e não para turista), espreitando pela janela percebi que não estava às moscas.
Entro e sento-me: afinal as pessoas estão é a beber cerveja e a conviver; ninguém está a jantar... começo a nao achar piada. O empregado estende-me a lista; digo-lhe que quero comer qualquer coisa verdadeiramente austriaca - o tipo aconselha-me um prato que, tanto quanto percebi (este é dos que tem uma pronúncia austríaca cerrada!) tem carne de porco, batatas e salada. Ok. Experimente-se, e logo se verá.

Wouw! Nada mau! Pelo menos soube-me muito bem. Só espero que não me aconteça o mesmo que anteontem! O Wienerschnitzel deu-me volta à tripa e vi-me aflito para chegar ao hotel são e salvo.
Hoje foi claramente um prato austríaco: lombo de porco assado com "knödel" (uma mistura cozinhada com pão, batata, e outras coisas que não consigo distinguir) e salada de batata. Bom, aqui, quando se trata de batatas nao se lhe chama "kartofell" como na Alemanha mas sim "erdeapfell" (tradução literal: maçãs da terra - muito mais simpático...); depois quando se fala de salada de batata, aparece uma salada com batata, de facto, e ainda alface, couve roxa, pepino, e sei lá mais o quê, temperado com um "vinaigrette" (com um vinagre ligeiramente adocicado) - excelente!
Portanto, se isto não me der volta ah tripa, fica aprovado. Com excepção do "expresso" que nao é mais que uma aguazita a saber vagamente a cafe...
Nao se pode ter tudo, não é?

Private:
1 - Madalena, espero que já tenhas vindo a Viena, senão é urgente que venhas!

Vienna

2 - Há alguém que vai ter que me ensinar a fazer uns exercicios para "aplanar" a minha barriguita!
3 - Elas, por estas bandas, são muito altas e muito grandes; deve dar uma trabalheira dos diabos tratar convenientemente de tudo...

Boa noite!
 

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