quinta-feira, agosto 18, 2005

Viena - 3 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar e tirado directamente do Diário de Bordo)

Saio do MOMUK (Museu de arte moderna) as 16h e alongo-me num dos muitos bancos que se espalham pelo pátio do MuseumQuartier (bancos de design sui generis: tanto dá para sentar como para deitar como para apenas alongar).

Vienna - Museu Quartier

Está sol; faz calor (acima dos 30 graus). Ha quem venha para aqui como quem vai à praia apanhar sol

Vienna - Museu Quartier

mas também quem traga o portátil e trabalhe (ou assim parece)

Vienna - Museu Quartier

há quem venha namorar ou apenas beber uma cerveja; quem venha "digerir" o que viu num dos museus ou quem venha actualizar o seu "diário" (eu, por exemplo).

Mesmo que fosse apenas por estes dois dias (ontem e hoje): visitas aos Museus Leopold e de Arte Moderna, já teria valido a pena vir a Viena... Mas vai ficar tanto por ver... Amanhã ainda venho ao Museu de Arte Antiga (ao mesmo nivel do Louvre, do British, do Prado...). O comboio para Bratislava so parte as 17h23, donde vou ter tempo.

Como estava um dia esplendoroso, logo pela manhã, resolvi "descer" ao centro da cidade por outro caminho que não o "habitual" (ao fim de dois dias já lhe chamo "habitual"?); de repente dou de caras com o Belvedere (o Versalhes aqui do burgo)

Vienna - Belvedere

atravessei os jardins de ponta a ponta (este tipo de jardins são sempre agradáveis, embora não faça muito o meu estilo); vim calmamente por aí abaixo e... outra surpresa: um monumento (monumental - passo o pleonasmo) "soviético" - erigido à memória dos soldados do exército vermelho que ajudaram a libertar a Austria do "fascismo" (repito de memória o que diz a placa pequena escrita em alemão, a placa maior está escrita em russo). Pois é, a Austria, acabou por ficar ocupada de 1945 a 55 pelos exércitos aliados.

Viena - Memorial to the soviet army


Passeando, com todo o vagar, chego ao Museu às 11h30. Com este tempo tão extraordinário, para estas bandas, é quase criminoso passar umas horas metido num Museu... Mas mais grave seria "perder" o MUMOK (e jé tenho, desde ontem, o bilhete comprado!)

Não vale a pena puxar pela memoria... Kadinski, Picasso, Klimt, Leger, Wharol, Klee, Christo, Rotella, Giacometti, Max Ernst, os hiper-realistas... estão cá todos (e mais os outros) - nem que presentes apenas com uma única obra - e claro, o Magritte (este "claro", tem a ver com uma queda muito especial que tenho por este pintor: não está aqui o "Ceci n'est pas une pipe", mas um quadro que não conhecia "La voix du sang" - se a memória nao me falha - este tipo fascina-me de facto...)
E há ainda videos de happenings dos anos 60/70, e videos experimentais recentes... Isto é demais!

Percebi que o bilhete é valido para o dia inteiro, portanto saio para "arejar" e comer, dar uma voltinha por este complexo de Museus e Galerias

Vienna - Museu Quartier -

defronte do MuseumQuartier há ainda mais dois museus instalados no que foram palácios imperiais e mais um jardim soberbo a separá-los.


Volto ao MUMOK e estou ainda mais hora e meia. Dou por findo o meu "mergulho cultural a grande profundidade" do dia.
Tenho que voltar ao "terra a terra": são horas para ir buscar a roupa ah lavandaria...


(enquanto espero o jantar)
Vamos lá ver se hoje me safo! De fora o restaurante, defronte da estação de comboios) pareceu-me "verdadeiro" (isto é, para consumo do austríaco comum, e não para turista), espreitando pela janela percebi que não estava às moscas.
Entro e sento-me: afinal as pessoas estão é a beber cerveja e a conviver; ninguém está a jantar... começo a nao achar piada. O empregado estende-me a lista; digo-lhe que quero comer qualquer coisa verdadeiramente austriaca - o tipo aconselha-me um prato que, tanto quanto percebi (este é dos que tem uma pronúncia austríaca cerrada!) tem carne de porco, batatas e salada. Ok. Experimente-se, e logo se verá.

Wouw! Nada mau! Pelo menos soube-me muito bem. Só espero que não me aconteça o mesmo que anteontem! O Wienerschnitzel deu-me volta à tripa e vi-me aflito para chegar ao hotel são e salvo.
Hoje foi claramente um prato austríaco: lombo de porco assado com "knödel" (uma mistura cozinhada com pão, batata, e outras coisas que não consigo distinguir) e salada de batata. Bom, aqui, quando se trata de batatas nao se lhe chama "kartofell" como na Alemanha mas sim "erdeapfell" (tradução literal: maçãs da terra - muito mais simpático...); depois quando se fala de salada de batata, aparece uma salada com batata, de facto, e ainda alface, couve roxa, pepino, e sei lá mais o quê, temperado com um "vinaigrette" (com um vinagre ligeiramente adocicado) - excelente!
Portanto, se isto não me der volta ah tripa, fica aprovado. Com excepção do "expresso" que nao é mais que uma aguazita a saber vagamente a cafe...
Nao se pode ter tudo, não é?

Private:
1 - Madalena, espero que já tenhas vindo a Viena, senão é urgente que venhas!

Vienna

2 - Há alguém que vai ter que me ensinar a fazer uns exercicios para "aplanar" a minha barriguita!
3 - Elas, por estas bandas, são muito altas e muito grandes; deve dar uma trabalheira dos diabos tratar convenientemente de tudo...

Boa noite!

quarta-feira, agosto 17, 2005

Viena - 2 (actualizado com fotografias)

(adenda ao dia de ontem)
Não resisti e comprei um CD com valsas do Strauss e aberturas de operetas do Léhar e outros... Nada que não tenha já em Lisboa... mas comprado mesmo em frente à Opera de Viena vão ter outro sabor...

Vienna - Karajan Platz

(hoje à tarde)
Hehe! O Danúbio não é azul!

Vienna - The Danube (is not blue)

É cinzento/esverdeado. Quando voltar a ouvir a valsinha do Strauss é melhor lembrar o Tejo...

(numa esplanada às 19h)
Logo pela manhã deixei roupa na lavandaria: convém. Tive que comprar uma mochila nova; a minha, a "clássica", rompeu-se lhe uma alça... tive pena: fez comigo várias voltas a Londres, Paris, acompanhou-me agora a Berlim, depois a Praga e ainda fez um dia em Viena... estava à espera de ainda a levar a Budapeste...)
Acabamos sempre por estabelecer relações afectivas com alguns objectos.



O MuseumQuartier é um complexo cultural - mais de 60 mil metros quadrados de museus, e galerias de arte.

Vienna

Diferente no aspecto da "Ilha dos Museus" em Berlim; acho que o ultrapassa, talvez por tudo estar mais interligado. Uma série contigua de antigos palácios, estábulos imperiais, etc. (do sec.XVIII para cá), rodeando um patio onde entretanto construiram, de raiz, mais dois museus: o Leoplod Museum

Vienna - Museum Quartier

e o MUMOK (Museu de Arte Contemporanea).

Vienna - Museum Quartier -

Queria ver o MUMOK e, no Leopold, a exposição "Die nackte Warheit" (tradução livre: "A verdade da nudez". Com obras do Klimt, Moser, Kiloschka, Schiele (grande revelação, para mim) e outros.

Resolvi-me por esta exposição, embora tivesse comprado um bilhete "duplo" (metade do preço) para os dois museus! (estas coisas que não encontramos em Lisboa...). Hoje a exposição do "escandalo" (Klimt e companhia), amanhã o MUMOK.

Vienna

Espectacular! Estes tipos acabaram por se interessar pelo corpo, num sentido mais sensual e até sexual - o Freud começa a dar que falar neste principio de século - é curioso como eles têm de explicar perante tudo e todos a diferença entre o pornográfico e o artístico. O Schiele acaba por ser preso por trazer meninas (menores) para o seu estúdio e retratá-las (só? pergunto eu...). E pinta-as com uma sensualidade nunca vista, expondo sem rodeios toda a sexualidade - não admira o escândalo (sobretudo para a época). E toda a exposição muito bem enquadrada na época, para que nos apercebamos do porquê do escândalo...

Acabei por sair do museu às 2 da tarde - penso não ser possível prolongar por mais de três horas o prazer de uma visita desta natureza.


Depois do passeio a pé até ao Danubio; "flanar" pela cidade...

Vienna - Stephansdom

Vienna

(ao fim da tarde)
Sem querer vou dar à Michaelplatz! Estes acasos que acabam por dar "sal e pimenta" às minhas viagens.
Hoje de manhã na exposição havia uns esboços e maquette de um edifício (mil novecentos e muito pouco) que tivera feito escândalo na altura; tratava-se de um projecto para uns grandes armazéns, que se situaria perto dos palácios imperiais - uma arquitectura "lisa", sem ornamentação de espécie alguma; depois de grandes polémicas públicas as obras acabaram por ser embargadas; o projecto é finalmente discutido no parlamento e a sua construção acabou por ser autorizada desde que se pusessem flores nas janelas (alguma ornamentação!)! O edifício parece-me, pela maquette e esboços o mais "inofensivo" possível; no entanto gostaria de o ver. Pergunto à guarda da sala se ela por acaso saberia se aquele edifício ainda existiria. Que não sabia, que muito provavelmente teria sido destruido durante a guerra, que nunca o tinha visto, mas que não me poderia dar qualquer certeza. Não voltei a pensar no assunto...
Ao fim da tarde, ao virar de uma esquina entro num largo, por acaso, e ai está ele!

Vienna - Michaelerplatz -

Completamente "pacífico" para os dias de hoje, com flores nas janelas!, com umas arcadas direitas rectas a marcarem a diferenca! Fico contente por me ter acontecido mais este acaso.

Boa noite.

terça-feira, agosto 16, 2005

Viena - 1 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar)

Ontem à noite o susto! Perdi a carteira com todos os documentos, cartões, etc. Mas nunca entro em panico: "allways keeping it cool!" Tudo na vida se resolve.

Quando fiz o check-in no hotel deram-me um cartão (tipo multibanco) com um chip que me daria acesso quer ao quarto do hotel quer à porta do hotel, já que às 19h fecham a porta e não há ninguém na recepção.

Eis que à noite, quando chego, não encontro a minha carteira. Despejo e revisto a mochila 5 vezes, revisto as algibeiras outras tantas... E nada!
Terei deixado no quarto, antes de sair? Tenho quase a certeza de a ter trazido comigo. Mas tambem não me lembro de alguma vez ter precisado de qualquer coisa da carteira, nem sequer da mochila... Mistério.
Há de haver uma maneira de entrar no hotel e amanhã lá terei de resolver o problema, não tanto da carteira, mas mais do seu conteudo: B.I., cartões de crédito, cartões multibanco, etc.
Ao lado da ranhura para o cartão/chave do hotel há um intercomunicador para "ajuda". Do outro lado uma voz ensonada; explico que perdi o meu cartão, o tipo do outro lado pergunta-me se sou o cliente do quarto 115. E eu havia de me lembrar? O nome. Ok. Confere.
"A polícia encontrou a sua carteira, nao se preocupe, prima os botões tal e tal, e a caixa do correio abre-se, aí vai encontrar o cartão de acesso ao hotel e ao seu quarto, encontra também uma nota de 20 euros para o táxi no caso de necessitar, e amanhã dirija-se à recepção, devolvemos-lhe a carteira. Boa noite."

Bom, pelo menos já tenho onde dormir, e encontraram a minha carteira... será que "sobrou" alguma coisa? Grandes ralações vou ter amanhã...


Hoje de manhã na recepção. O empregado, sorridente, avança acenando com a minha carteira. Diz-me que a polícia ao ter visto o cartão do hotel na carteira achou por bem vir trazê-la: tinham na encontrado no chão, ali por perto; e já agora que eu visse se faltava alguma coisa.
É que nao faltava rigorosamente nada! "Gott sei dank!" exclama o recepcionista (trad.: "Deus seja louvado!")
Está lá mesmo tudo!
Nao faço a mínima ideia como terei perdido a carteira; pensando agora melhor, talvez tivesse sido quando saí do hotel e tirei de dentro da bolsa da mochila o mapa da cidade para me orientar... é a única explicação que posso encontrar.
Acrescenta o recepcionista ainda: "olhe que isto não é nada habitual!"
"Gott sei dank!" - repito eu aliviado.


Bom. O dia: começou chuviscando - chatice esta mania de chuviscar! porque é que não pode chover tudo de uma vez? - hehehehe


Apesar de tudo, quando começa a chuviscar mais persistentemente meto-me na exposição do "Goya bis Picasso".


Uma exposição excepcional de uma colecção particular! Obras do Goya e do Picasso (evidentemente) mas também (e digo agora de cor, sem qualquer ordem especial, e sei que vou falhar muitos) do Ingres, Cezanne, Van Gogh, Matisse, Manet, Delacroix, Giacometti, Schiele...

(Schiele - "Auto-retrato")

De tarde está um tempo bastante razoável; dou umas voltas pela "baixa" (muitos italianos e espanhois).


Tento ir até ao Danúbio, mas recomeça a chuviscar começa a fazer-se tarde e frio. Adio para amnhã: ver se o Danúbio é mesmo azul... (reparei entretanto que há outras exposições que não posso perder...)



O tipo aqui do cyber-café quer fechar o "estaminé": são onze...

Boa noite!

segunda-feira, agosto 15, 2005

Viena - 0 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar)

Cheguei a Viena perto das cinco, com a mesma chuva com que deixei Praga. Espero que o tempo melhore.


Eu sei que deveria ter comido ao jantar qualqer coisa como Wienerschnietzel (ou algo de semelhante), mas não... acabei por jantar num restaurante tailandês...
(acho que vou ter que ensinar à minha empregada pratos chineses, coreanos, tailandeses... )
O jantar foi óptimo. Só foi pena nao ter tido uma velhinha tailandesa a conversar comigo e a aconselhar-me o que comer... é que as empregadas fazem-no por profissão e não com o gosto da coreana de ontem.


Primeiras impressões (nocturnas) de Viena: cidade da música! Sem dúvida! nao deu para ver muito, mas percebi rapidamente que é uma cidade que cultiva, nem que seja para turista, a música clássica; anúncios por todo o lado chamam a atenção para concertos com artistas de primeiro plano...
E depois, sem querer, na minha primeira pequena incursão pela cidade dou de caras, ao fim de cinco minutos, com o edifício da Opera!


É tão engraçado o alemão falado pelos austríacos! Pronúncia mais cantada e menos agreste. Lembro as operetas do Franz Lehar que por vezes oiço em casa.


(do Diário de Bordo - ainda em Praga)
Espero no restaurante do hotel pelo táxi. Não que a estação seja longe - 10 minutos a pé se tanto - mas chove. Não uma chuva miudinha como a de ontem, mas chove. E depois há a mala - com mais tretas do que o necessário... (desculpa esfarrapada: não sabia que tempo iria encontrar, donde... trouxe de quase tudo!)


Levo boas recordações de Praga, a todos os níveis (ou quase).

Fico com a impressão de que Praga (ou toda a Republica Checa?) esta em transformação, nao tanto urbanística e arquitectonicamente - Berlim, pelo contrário está - mas mais pelas pessoas, pelo ar que se respira. Apenas tenho como comparação Sofia há um bom par de anos atrás: cidade cinzenta, pessoas cinzentas (amorfas? tristes?). Agora em Praga se por um lado se sente a iniciativa privada a funcionar em grande força, continua a encontrar-se "funcionários" (os empregados das casas de banho públicas são, para mim, o paradigma).
Percebe-se que há o cuidado na perservação dos edifícios mais antigos (a arquitectura do início do sec.XX tem uma beleza muito especial e prolonga-se ao longo de imensos quarteirões)


mas depois, repentinamente, encontra-se, paredes meias, enormes edificios, maciços, de arquitectura "sovietica"; em prédios de habitação ou edifícios de serviços, alto-relevos "elogiam" as classes "operárias", os agricultores, os soldados e até os intelectuais - mas tudo cinzento pelo passar dos anos, não limpam a fachada há que tempos, o que torna tudo mais cinzento ainda (alguma espécie de vergonha ou remorso? de querer esconder ou esquecer o passado?).


a contrastar, de modo muito gritante, peças de arte contemporaneas, arrojadas, espalhadas sobretudo pelo centro histórico da cidade.


E agora Viena! (espero por um tempo menos chuvoso)

Boa noite!

domingo, agosto 14, 2005

Praga - 4 (e último dia - actualizado com fotografias)

É que nem se atrevam a perguntar-me o que jantei hoje...

Esteve uma manhã óptima cheia de sol. Ao princípio da tarde umas nuvenzitas não me assustaram.
Passeei pela Praga mais "moderna" (anos 50-70) onde ainda não tinha vindo.


Afasto-me do centro. Acabo por chegar ao Castelo de Visehrad - o castelo mais antigo do lado de cá do Vltava (Moldava). Começa a chuviscar, nada que me assuste. Subo ao castelo - vista soberba sobre o rio e sobre Praga. A chuva miudinha - "chuva molha-parvos" - persiste. Começo a não achar piada já que estou longe do centro da cidade. A t-shirt cola-se - e logo hoje em que não trouxe o "pára-ventos" (estava tão bom de manhã...).
Resolvo voltar... A chuva persiste... Acabo por me "abrigar" num restaurante/café/bar - estas coisas acabam por ser difíceis de nomear.
Bebo "pivo" (cerveja) até a chuva passar - uma meia horita - regresso ao hotel e tomo um duche quente.

Pelo caminho e já perto do hotel passo por um restaurante coreano - penso que poderia ser interessante...

E foi! Entro - o restaurante está cheio de (vim a saber mais tarde) coreanos. Sento-me na única mesa vaga; ao lado uma mesa com umas 12 pessoas. A senhora mais velha sorri para mim e faz-me uma vénia. Respondo-lhe com um sorriso e uma vénia também. A empregada (checa) pergunta-me o que quero... sei lá! qualquer coisa que me surpreenda, qualquer coisa de coreano - olho para a mesa ao lado, a senhora coreana, num inglês "macarrónico", mas com um sorriso de simpatia do tamanho do mundo, pergunta-me se gosto de comida coreana. Respondo-lhe que é a primeira vez e pergunto-lhe o que me aconselha. Ela faz directamente o pedido à empregada, perguntando-me depois se estava "OK?" - que posso responder, senão que estava OK de certeza?
E se estava... uma sopinha de qualquer coisa (é que não faço mesmo a mínima ideia), um prato de arroz com uma misturada de vegetais e frango (suponho)... E eis senão quando de repente ela me estende uma das inúmeras tigelas de comida e insiste para que eu prove (o resto da família acena com a cabeça)... foi todo o jantar assim: prove isto, prove aquilo - eu ia retribuindo com o que tinha... Sabores extraordinários (diferentes dos vietnamitas, comidos em Berlim) - a não esquecer e a voltar quando puder... (talvez em Lisboa haja algum...)!


Amanhã parto para Viena. Com alguma pena: esta cidade cativou-me definitivamente (apesar de invadida por turistas... - queria-a só para mim!)



Cada vez lamento mais o facto de não puder publicar fotografias entretanto tiradas (penso que já ultrapassei as cinco centenas... - como irei resolver isto, por este andar, uma vez de regresso a Lisboa?).

Não se pode ter tudo.

Boa noite.

sábado, agosto 13, 2005

Praga - 3 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar)
Reincidi no restaurante checo de ontem; fiquei cliente.


Do Diario de Bordo (PDA):

17h30
Parei para para beber uma "pivo" (cerveja) - muito boa, aqui: gosto especialmente da "Pilsner".

Ontem à noite acabei por ir ao bar "afro" ("Zulu" - como não poderia deixar de se chamar): de facto, ninguém como os africanos para "brincarem", "gozarem" e surpreenderem com o ritmo. Um guineense-konakry deu um show apenas com percussão: um espectáculo, o sentido musical daquele tipo, as maravilhas que produziu sozinho. Clientela maioritariamente africana - estranho: nao havia uma única africana! - e alguns europeus (homens e mulheres).


Como eu tenho razão em não planear os meus dias e fazer tudo ao sabor do "feeling" do momento...!
Acabei por ir ver a exposição "Wiener Secession and Modernism".


O grupo de artistas "Secession", com o Klimst como máximo expoente (ou pelo menos o mais conhecido), ao contrário do grupo "Brücke" (poder ver exposições destas de seguida - duas correntes artísticas da mesma época e com opções opostas - é uma sorte e um privilégio); são claramente pela ornamentação - baseada em estruturas orgânicas, particularmente plantas e suas estilizações. De papel de parede a mobílias, de pequenas peças decorativas a cartazes, tudo extremamente decorado, com elementos estilizados; são completamente o oposto do grupo "Brücke"!




De manhã - afinal estava bom tempo - fui ate à "Mala Strana" (era quase obrigatório!).


Não posso dizer que tenha sido uma desilusão, mas não vi nada que não tivesse já visto em prospectos e guias turísticos ou filmes promocionais...


É claro que é espectacular... Tudo bem arranjado para turista.


[Não tem nada a ver, mas é assim como Óbidos: porta sim, porta sim ou é restaurante (desde mexicanos a italianos... "strange"!) ou é loja de "souvenirs"...] Mas o pior de tudo são as hordas imensas de turistas (mesmo nas ruelas mais reconditas). Definitivamente não é assim que gosto de conhecer os lugares... Mas não serei eu, afinal, mais um outro turista, igual aos outros todos?


E de repente, no café/bar, onde estou, tudo parou; todas as cabeças se voltam para o ecrã de televisão; onde até agora passavam telediscos passaram a dar um jogo de futebol: Middlesborough contra o Liverpool... Mas isto interessa a quem? aos turistas? pelos vistos...

Boa noite!

sexta-feira, agosto 12, 2005

Praga - 2 (actualizado com fotografias)

(antes do jantar)

"A vida humana é muito complexa" - era a resposta que eu costumava dar à Guiomar, minha namorada de então, quando não tinha explicação lógica (ou mais lógica...) para o que quer que fosse.

A que propósito vem isto agora em Praga?
Ontem à noite passei por um - chamemos-lhe um club - eles tinham afixado na porta "bar", "restaurante"... este tipo de nomenclatura varia muito de país para país; uma música afro com um belo batuque "live" tinha-me chamado a atenção; enquanto passo pela porta escuto e penso na decisão a tomar; alguns africanos entram outros saem... apetece-me entrar e vibrar com aquela percursão tão verdadeira. De repente aparece-me um "afro" que me convida a entrar, eu recuso (mas porque razão sempre recusei convites?). Segui rua acima. Tentei perceber porque não tinha entrado, a resposta era a de há umas dezenas de anos "A vida humana é muito complexa!"
Mas ficou-me a ideia de lá voltar e entrar mesmo.

Pois! - hoje não havia batuque nenhum: apenas uma música rock qualquer que se pode ouvir em qualquer parte do mundo...
Os americanos têm uma experessão óptima: "Fu***!" - percebe-se, nao é?

É o que me apetece dizer.


Oh! claro! o dia de hoje:
aparentemente ia chover, no hotel preveniram-me que ia haver chuva. Acabei por "navegar à vista" - ou seja ir andando, sem rumo (como gosto) - descobrindo pequenas/grandes preciosidades nesta cidade.


É de facto uma cidade onde se dá uma importancia muito grande à cultura: seja sob que forma for - não há igreja que nao anuncie um concerto cada fim de tarde


há jazz ao vivo nalguns cantos mais frequentados


obras escultóricas de todos os géneros (talvez nelas eu destaque uma certa forma de fazer humor)


... apenas a arquitectura moderna, mais arrojada, fique um pouco mais aquém - não falando da coragem do "Ginger and Roger".

Amanhã ou vou finalmente a Mala Strana


ou tenho outras duas opções (no caso de estar mau tempo): O Museu Nacional ou uma exposição nas galerias da Câmara Municipal


sobre a "Revolução (Secession) na arte Vienense na passagem do século" - um bom contraponto a fazer à exposicao "Die Brücke" vista em Berlim (e que explora exactamente a mesma época).

Vamos a ver que imprevistos (ou não) me traz a o dia de amanhã.

Boa noite, vou jantar!

quinta-feira, agosto 11, 2005

Praga - 1 (mais último dia em Berlim - actualizado em Lisboa e com fotografias)

Pouco tempo de internet. Portanto vai mensagem quase telegráfica.
Optimo dia em Praga. Sol. Cidade verdadeiramente cenário - apenas passeei pela cidade velha.



Alguns locais mais turísticos, como a Praça Venceslau


interessantissima a exposição temporária de obras de arte de vanguarda.

("Even heroes have sometimes bad days")


Finalmente, já quase desesperado, encontrei um café com verdadeiras "bicas" (ou quase...)! Já não bebia uma assim desde Lisboa. Foram duas, para tirar a barriga de misérias.
A cidade verdadeiramente bela, revela de vez em quando surpresas, tais como o edificio "Ginger and Fred dancing" - sem exageros uma obra prima do Franck Ghery


não só pela arquitectura, harmoniosa e audaz, sob qualquer ponto de vista; bem integrado, não choca com os edifícios adjacentes.


Depois são pequenas obras de arte dos, e nos próprios, edifícios datados sobretudo do principio do sec.XX; e conservados com gosto.


Andei por aí todo o dia, não sei quantas fotografias tirei, mas enchi 256Kb de cartão - o que deve dar para cima das 180 fotos (talvez mais).
Amanhã tenciono (depois de beber o café no mesmo sitio), atravessar o rio e visitar o outro lado da cidade, sobretudo a zona histórica chamada "Mala Strana" - não me esquecerei que há uns anos, num filme do Oliveira, havia uma cena passada numa Igreja de "Mala Strana", e depois de algumas consultas diplomáticas a fim de enviarem fotos da igreja, o Oliveira ainda insistiu um pouco com o Paulo Branco no sentido da equipa (e actores) se deslocarem aqui a fim de se filmar a cena (não ultrapassava os 5 minutos, tanto quanto me lembro) - é evidente que ninguém veio a Praga filmar nada. O que "obrigou" o Oliveira a substituir as estátuas por personagens verdadeiras - tornando a cena muito mais interessante - "à la Oliveira". Estou com curiosidade em ver essa tal igreja (que tanto quanto me lembro pelas fotografias é deslumbrante).

Praga é uma cidade um pouco mais desorganizada que Berlim.
Duas coisas me fazem confusão: não perceber rigorosamente nada do que está escrito e muito menos do que dizem...


o que vale é que quase toda a gente fala inglês, outros (menos) alemão. Uma velhinha numa casa de banho publica (a cerveja aqui é excepcional e barata - vou chegar a Lisboa com a barriguita mais proeminente...) deu-me o troco contando-o em voz alta em alemão.
O dinheiro também torna tudo muito confuso; é que uma Coroa vale (se a memória não me falha) cerca de 0,032 euros... Ou seja é imensa a quantidade de Coroas que se paga por uma ninharia...

Boa noite!

(não esquecerei de, em Lisboa, actualizar o blog com o Diario de Bordo, bem assim como incluir fotografias... que isto assim, "a seco", tem pouca piada)


(do Diário de Bordo e relativo ao último dia em Berlim - transcrito em Lisboa)
10 agosto

(no comboio para Praga)


Dia de viagem para Praga; embora o bilhete e a reserva estejam assegurados e o comboio parta apenas às 17:26 quero "despachar" tudo o mais cedo. Largo o hotel às 8:30, deixo a mala na estação, compro dinheiro (checo) - vai me fazer confusão a conversão (100 coroas checas valem cerca de 3,6 euros... Olha pra mim a fazer contas de cabeça...)

Ainda tinha quase um dia em Berlim: pensei ir ver as portas do Palácio Assírio (e não só) no "Pergamonmuseum".



A "Ilha dos Museus"; embora a imponência e grandeza dos edifícios me continue a impressionar - construídos sobretudo no sec.XIX em estilo neo-clássico o que lhe faz "aumentar" o peso - acaba por me deixar menos "esmagado".



O "Pergamonmuseum" onde está o que pretendo ver tem uma fila de duas horas. Ora, eu não vim aqui para passar duas horas numa fila de espera... O museu onde se exibe o Goya (exposição completíssima, segundo a publicidade) tem uma fila ainda maior...


Acabo por me decidir pelo "Altes Museum" onde encontro magníficas obras da antiguidade: de anforas a esculturas, de tumulos com baixo-relevos a mosaicos - sobretudo gregos e romanos.



Não posso deixar de pensar - estou em Berlim! - como o Hitler não haveria gostar de ter sido um imperador romano - sem os chatos dos aliados...
Tudo isto me vem à cabeça quando relembro a passagem pela "Topografia do terror" - uma exposição a céu aberto da subida do nazismo ao poder; perto do inevitável "Check point Charlie" e de um outro resto do "Muro" - preservado para os vindouros...


Eu bem dizia, ainda ontem, que Berlim, apesar de todos os esforços, continua a ser a cidade da II Grande Guerra.

Mais tarde ainda tive tempo para dar uma volta pela "Potsdammer Platz" com o "Centro Sony" e o "Quartier DaimlerChrysler" - de arquitecturas arrojadíssimas e interessantíssimas...


 

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