terça-feira, agosto 23, 2005

Budapeste - 1 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar)

Se o jantar de ontem estava óptimo o de hoje excedeu todas as expectativas. Amanhã volto ao mesmo sítio.


Uma manhã excepcional. Céu limpo, sol radioso - o dia promete um bom passeio pela Budapeste desconhecida.
Confirmo a impressão de ontem à tarde: cidade cosmopolita, grandes avenidas, movimento, lojas, gente.
Nesta parte de Peste (margem esquerda do Danúbio) a arquitectura dominante ainda é, sobretudo, a do principio do sec.XX (dai fazer lembrar os "grands boulevards" de Paris).

Budapest

Pena haver alguns prédios (e não tão poucos) degradados, mas percebe-se que tem havido alguma reabilitação.
De repente o céu fica coberto de nuvens cinzento carregado (nunca tinha dado por mudança tão brusca) e desata a chover a cântaros.
Como estou à porta de uma loja de discos (oh, divina providencia!) entro. Entretanho-me a "bisbilhotar"; espanto: os CDs de origem húngara são mais caros que os das editoras internacionais...

Sinto igualmente na cidade um reconhecimento pelos músicos que por aqui passaram ou viveram (os da clássica, bem entendido!): placas nas fachadas dos edificios, pequenos ou grandes bustos ou monumentos a lembrar Liszt

Budapest - Ferenc Liszt Music School
(claro: Liszt, húngaro a 100%, com direito a busto no Conservatório de Música!)

Bartok, Erkel e tantos outros; mas não faço a mínima ideia do porquê dessas homenagens - as placas estão em húngaro, língua que é me completamente estranha, nem por aproximação vou lá... Porquê uma placa ao Wagner? porque dormiu nesta casa? terá composto algum trecho de ópera aqui? (inclino-me mais para a primeira opção...)

A chuva parece abrandar, aguardo mais uns minutos e de súbito novamente céu limpo e sol. Continuo o passeio a desvendar Buda. Chego à ponte das "correntes"

Budapest - Lánchíd (Chain Bridge)

- não faço a mínima ideia da tradução literal, o mapa em inglês chama-lhe "chain bridge".
(Mais tarde fico a saber que a tradução é mesmo literal; os húngaros chamam-lhe igualmente "Ponte das correntes")


Nem aqui o Danúbio é azul! (Viena, Bratislava e agora Budapeste)

A seguir ao meu almoço com vista para a ponte da "liberdade" - a que eu gosto mais

Budapest -

o céu volta a encobrir-se e recomeça a chover a sério; abrigo-me num portal. Quando amaina um pouco aventuro-me mais além; ao fim de meia hora, penso que não foi para apanhar chuva que vim ate Budapeste. Olho o mapa e percebo que estou perto do "Museu de Artes Decorativas" (não estava nas minhas intenções, mas porque não?). A chuva é miudinha mas persistente. Quando volto a esquina para a rua do museu: grande aparato - projectores potentissimos montados em gruas iluminam umas janelas do 2º andar do Museu

Budapest

já percebi: filmam... e o museu está encerrado ao público (óbvio!) - um alemão nao deixa de desabafar um "Scheise!"

Chego ao hotel; sinto-me húmido da cabeça aos pés; tomo um duche, mudo de roupa e sinto-me outro.

Penso num possível sítio abrigado - museus, já não vale a pena (passa das 4h). O "maior shopping da europa"... (se eles o dizem... Todas as cidades têm o seu "maior" ou "mais significativo" qualquer coisa...)

Budapest -

Vamos a isso. De facto é enorme; as lojas de marca do costume, mais umas tantas outras, cinemas, cafés, restaurantes, casas de jogo, livrarias... o costume...
Ao fim de uma meia hora dou que já não chove. Saio.


Uma rectificação ao que ficou dito ontem: esta gente ainda nao é completamente eslava - muita dela tem traços aciganados; estou mais uma vez numa qualquer fronteira...


20h
Encontrei uma "tasca" que não me parece nada mal; encomendei a tradicional "gulyas leves" (sopa de gulash) e outro prato tradicional frango com chouriço (húngaro; tem muito pouco a ver com o português) e paprika... Yummy! Yummy!


Se amanhã estiver de chuva (a previsão metereológica assim o prevê) vou ao Museu de Arte Antiga - museu que não quero perder.

Boa noite!

segunda-feira, agosto 22, 2005

Budapeste - 0 (actualizado com fotografias)

Acabei de jantar à meia hora, já bebi dois cafezitos (acabei por encontrar qualquer coisa de parecido...) e ainda tenho a boca completamente a arder... Foi na "mouche": "Gulash suppe" e "Ungarische paprika" estava óptimo.

(ainda no comboio para Budapeste - do Diário de Bordo)

Train from Bratislava to Budapest

No compartimento vazio e já em terras magiares (porque é que mal o comboio entrou na Hungria passou a andar mais rápido?) lembro a viagem de Praga para Viena: a meio entra um grupo americano - família numerosa que se reparte por vários compartimentos - à minha frente senta-se a mãe da familia (quarentona), mete conversa comigo a propósito do arrumo das malas; e logo: "Oh! I'm so excited! It's my first time in a train!" e logo de seguida segue com um comentário de que deveria ter tido aulas - "some lessons" - sobre como andar de comboio! Controlei-me para não dar uma gargalhada e desvio a conversa... donde são, para onde vão...

São de facto uma gente estranha.
Uma noite em Viena, no NetCafe, entram dois americanos; um senta-se a um computador, o outro, ao balcão, na outra ponta da sala, a uma mesa; eu quase nem dou por isso; a pouco e pouco vou-me sentindo desconcentrado (é que para além da falta de acentos e cedilhas algumas teclas não estão no sítio do "costume") - o raio do americano sentado ao balcão vai berrando para o outro instruções: "Agora faz assim"... "Isso, agora assado"... "Estúpido! isso não, volta para traz"...
E não levantava o rabo da cadeira onde estava para ir ter com o outro. Não me contenho e berro-lhe (sim: berro!) "Not so loud, please!" - o tipo olha para mim com o ar mais aparvalhado do mundo durante uns bons cinco segundos, até que, finalmente, percebe. Vá lá, acabou por se render as evidencias, e: "I'm sorry about that". Levantou-se e foi para junto do outro. Acabei por actualizar o blog em paz.


18h30 em Budapeste
Sinto-me numa grande cidade, outra vez!
Sem desprimor para Bratislava que continua a ser uma cidadezinha simpática para visitar (dois dias para mim foram suficientes); apenas a parte antiga da cidade despertou o meu interesse; dizem os eslovacos que os checos (quando existia a Checoslovaquia) levaram tudo o que tinha interesse para Praga, daí as poucas obras de arte existentes em Museus (apenas tive conhecimento de um, que nem sequer visitei).

Mal saí da estação de Budapeste

Budapest -
(a mítica estação de onde saía o mítico "Expresso do Oriente")

(escolhi sempre hoteis relativamente perto das estações) mergulhei numa grande avenida, com trânsito intenso, e cheio de pessoas atarefadas; quando voltei a primeira esquina pareceu-me estar em Paris: avenida larguissima, árvores a bordejar os passeios, arquitectura semelhante, vida intensa.
Em 10 minutos estava no hotel. Tinha saido de Bratislava com chuva, cheguei a Budapeste com sol.

Meia hora depois estava novamente na rua (seria mais apropriado dizer "boulevard"?). Estranha sensação: parece que estou em pleno Paris e não estou...

Budapest - Andrássy út

Não tenho culpa! A meio do "boulevard" apanho com a Opera! Edifício neo-clássico, (o habitual para uma Opera); um pormenor chama-me a atenção: de cada lado da fachada principal, e sempre em estilo neo-classico, uma esfingie

Budapest - Opera house

um nipónico (assim me parece) faz-se fotografar pela mulher a apalpar as mamas à esfingie...
Uns metros mais abaixo, do outro lado da avenida (do "boulevard"?) uma intensa luz de dia sobressai no lusco-fusco que cai sobre a cidade. Nem aqui? Uma equipa de cinema ilumina o interior de uma loja onde se filma (presumo) uma publicidade... Os materiais e aparato do costume...

Budapest

A "sorok" (cerveja) húngara nao tem um travo tão acentuado como a checa; é bastante agradável, sabe mais a malte (assim me parece).

Vou tentar um "gulash" para o jantar - penso que nao vai ser difícil.... A ver vamos...


Pelos vistos não foi!|
Amanhã vou começar a desbravar Budapeste.

Boa noite!

domingo, agosto 21, 2005

Bratislava - 2 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar)
Chove, novamente a cântaros, e não tive outra alternativa senão a de vir para o hotel. A internet é de borla, mas tive de esperar um bocado pela minha vez e, parece, haver já mais um tipo à minha espera - passo ao essencial.

Bratislava - Old town


(ontem ao jantar)
Assumi-me, claramente, como turista (como todos os outros) e resolvi "abancar" na esplanada de um restaurante na praça principal e pedir um prato "mesmo" eslovaco. Isto deve ser como um tipo sentar-se no Nicola ou na Brasileira e pedir um "Bacalhau à Braz" ou um "Cozido à portuguesa"...

À tarde tinha visto uns restaurantes no mercado principal; pensava lá ir jantar. Mentira. Estavam todos fechados quando lá cheguei. Se por acaso amanhã, domingo, estiverem abertos, é onde venho almoçar.

Mas não me arrependo. Uma espécie de WienerSchnietzel (talvez não seja tão eslovaco quanto isso, mas mais vienense...) soube-me bem, sobretudo tendo ao fundo, no palco da praça, um conjunto de jazz com um "ganda" sax a dar "show"! Excelente jazz!

Dou por mim a pensar na diferença entre checos e eslovacos e na sua separação: independentemente das razões económicas que pesaram muito (os checos - mais ricos - sempre acharam que não deveriam "suportar" os custos dos "pobres" eslovacos) encontro razões de outra ordem, mais culturais: os checos mais ocidentais, a penderem mais para o "germânico" (até na aparencia física), os eslovacos claramente na fronteira entre a europa ocidental e oriental - quase eslavos, mas ainda não completamente... Estranho...


(hoje, 19h10)
Começa a cair uma carga de água de todo o tamanho. Por acaso apanha-me numa esplanada coberta - a cervejinha do fim da tarde.

Hoje o dia quase não teve historia. Umas voltinhas de manhã pela parte antiga da cidade: deserta (por ser domingo?). Prefiro-a assim. Passo pelo mercado e percebo que os restaurantes fecham as 9h. Decido então vir aqui jantar, a horas...

Bratislava - Old town

Ao fim da manhã encontro, já fora da "Stare Mesto" (cidade "velha") um grande armazém aberto. Entro por curiosidade. Também tem supermercado - é lá que acabo por comprar os petiscos para o almoço.
Lembro-me que estou a precisar de comprar "slips".
Aqui vai a "petite histoire" do dia.
Secção de roupa para homem: não encontro o que quero. Dirijo-me a uma empregada: não fala nem alemão nem inglês. Digo-lhe "slips" e indico com os dedos o sítio onde se vestem. Sorriso aberto: percebeu!; aponta-me numa direcção e diz umas palavras, para mim ininteligiveis. Ora bolas: fatos de banho para homem... não era exactamente isto que eu queria... não me fiz entender... Dirijo-me a outra empregada; não sou de modas: levanto o polo e puxo uma ponta do "slip" que trago; "Slips?"; e num inglês escorreito ela indica-me onde os posso encontrar...


À tarde resolvi dar uma volta pela cidade "menos turistica" - urbanização e arquitectura incaracteristica e desinteressante (dormitórios).

Bratislava - The right bank of the Danube

Acabo subindo ao Castelo - afinal a grande "atracção turistica" de Bratislava (segundo todas as indicações e guias turisticos).

Bratislava - The Castle's tower

É o tipo de local que não aprecio particularmente. Claro que tem uma vista panorâmica e única sobre a cidade e sobre o Danúbio.



A chuva entretanto passou; vou jantar ao mercado... a ver vamos.


Isto, nem todos os dias podem ser perfeitos, não é?
Afinal os restaurantes no mercado fecham de facto as 9h - aos dias de semana!; sábados e domingos fecham as 7! Cheguei as 8h... Paciencia!
Mais uma vez, como qualquer turista, acabo por ir parar a um restaurante, numa ruazinha da cidade velha; com velinha na mesa e tudo... (os preços aqui são bastante inferiores aos de Lisboa).
Diz o empregado (ele pode dizer o que quiser...) que o peito de pato assado é uma especialidade eslovaca... estou por tudo... venha o peito do pato.

O peito do pato: o molho - especialidade eslovaca ou não - era de facto espectacular (mas não faço ideia dos ingredientes... beterraba vermelha? um tudo nada adocicado...). O peito propriamente dito podia ser menos seco; as batatas salteadas que acompanhavam eram bastante boas, tal como a salada. A conta, no fim, com cerveja e café (ou uma especie de...) excedeu ligeiramente o que costumo pagar na Amadora na tasquinha da D.Fernanda...

Na praça principal um malabarista entretem os turistas.

Bratislava - Fire juggler


Amanhã parto para Budapeste.
Bratislava continua a ser, para mim, uma muito simpática cidadezinha de província.

Boa noite!

sábado, agosto 20, 2005

Bratislava - 1 (actualizado com fotografias)

(13h30 - no jardim onde almocei)
A primeira impressão com que fiquei, ainda ontem à noite, de Bratislava, é que estou numa "cidadezinha de província", mal cuidada, mas simpática. (impressão colhida apenas com o percurso estação/hotel e de um jantarzito - no sítio errado: apenas pizzas e "risotto" - e regresso ao hotel).

A ideia alterou-se, ligeiramente, entretanto; o "centro histórico da cidade" está cuidado (pronto para acolher os turistas, claro!)

Bratislava - Old town

a praça principal tem um palco onde decorrem durante todo o dia acontecimentos diversos: desde danças e cantares folclóricos

Bratislava - Music for tourists

a concertos de bandas filarmónicas, de pantomima a jazz; mais para a noite, ainda jazz e rock.

Bratislava - the weekly program
(vá! entendam o programa...)


Aqui o Danubio também não é azul.


Definitivamente para estes lados nao há "bicas" - por vezes encontra-se qualquer coisa parecida a que chamam "espresso"; a maior parte das vezes não passa de uma água de lavar chávenas...



17h
Tem estado um dia de sol e calor: para cima de 35ºC, pelas minhas contas.
Paro na praça principal da "cidade velha" para beber uma "pivo" (cerveja) eslovaca.

Passeei por esta parte da cidade, atravessei o rio pela chamada "ponte velha", percorri a outra margem - um beira-rio imenso de relva - até à "ponte nova"

Bratislava -
(das poucas fotos que tirei tipo "bilhete postal", até o Danúbio parece azul...)

- uma obra de arquitectura e engenharia arrojada e excepcional; volto à "Stare Mesto" (cidade velha).

Bratislava - Old town

Estou sentado numa esplanada - qual turista austríaco (percebe-se pela pronúncia, e eles são muitos) ou italiano (também bastantes).
No palco há jazz - eu sei que eles tocam para "turista ver", mas percebe-se que há gozo quando tocam: um olhar cúmplice para um outro músico, um sorriso de surpresa por uma brincadeira surgida... Bateria (parece ser a "estrela" do grupo), baixo, guitarra eléctrica, e dois teclistas...
Sinto-me mesmo bem...

Boa noite!

Viena - 4 (actualizado com fotografias)

(postado no dia seguinte em Bratislava, segundo o Diário de Bordo)

(à saída do Museu de Arte Antiga - 16.30)
Bom, ficou por ver a colecção egípcia e do próximo oriente, a colecção de esculturas e artes decorativas, a colecção greco-romana, a exposição das obras de arte pertencentes aos Habsburgos, a colecção de pintura espanhola e italiana e francesa. Então o que vi eu no museu (?) apenas (apenas??????) a colecção de pintura flamenga (2 horas...). Riquíssima colecção; extraordinária "escola" - sobretudo, e para mim, pela luz: as fontes de luz, pela "iluminação" escolhidas pelos pintores (Vermeer!); gosto particularmente dos retratos, mas posso lá deixar de me deleitar com as enormes cenas do Brueghel, onde "pequenos acontecimentos" acabam por encher a tela, um espaço imenso... Impossível falar de todos...
Pena nao poder ficar mais tempo em Viena...

Vienna - Karlsplatz


Vienna - Karlsplatz


Vienna - Mozart memorial


Vienna - Kunsthistorisches museum


Vienna - Kunsthistorisches museum

(no comboio para Bratislava)
Berlim, Praga, Viena. O que mais me marcou (telegraficamente): Berlim - a arquitectura que foi e está a ser feita depois da reunificação; Praga - a arte na rua e a unidade arquitectónica e urbanistica da cidade; Viena - a quantidade, diversidade e qualidade da oferta cultural.
A voltar, com mais tempo, a qualquer destas cidades.
A recomendar com urgência.


Ironia / entro na Eslovaquia a ler o "Le Monde"... Ainda em Viena, não sabendo nada do que se passa pelo mundo fora, acabo por comprar um jornal... Calhou o "Le Monde"... (parece que Portugal ainda existe: não há notícias sobre o rectângulo...)



Nota: (já escrita em Bratislava)
As sequelas da II Grande Guerra persistem nas três cidades visitadas. Vem isto a propósito de ainda ontem em Viena ter-me deparado, inesperadamente, no meio de uma enorme praça, no caminho para o Museu de uma especie de "quintal" (grande) rodeado de tábuas toscas, portas velhas, armações de janelas, tudo quanto pudesse delimitar um bocado de terra. No quintal, dividido em "quarteirões", encontravam-se couves, tomates, batatas, cenouras, etc... - dizia a tabuleta explicativa que aquela horta, embora verdadeira, era uma réplica da que existiu naquele local a seguir ao fim da guerra, quando os vienenses eram obrigados a plantar e semear o que pudessem para sobreviver... e tudo isto mesmo ao lado de dois palácios (reconstruidos) e tendo a Catedral ao fundo.
Isto arrepia!

Vienna - Heldenplatz


[Escrevo esta nota em Bratislava, depois de ter passado por um monumento aos "partisants" (os resistentes à ocupação alemã) e depois de ter passado por outro monumento, este, aos "heróicos soldados soviéticos" que ajudaram a libertar a cidade].

Bratislava - Memorial to the soviet army


(Não tenho tempo para mais web por hoje; eventualmente com bastantes erros - não vou perder tempo com a "revisão"; ainda por cima os teclados são ligeiramente diferentes, não só aqui).

Boa noite!

quinta-feira, agosto 18, 2005

Viena - 3 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar e tirado directamente do Diário de Bordo)

Saio do MOMUK (Museu de arte moderna) as 16h e alongo-me num dos muitos bancos que se espalham pelo pátio do MuseumQuartier (bancos de design sui generis: tanto dá para sentar como para deitar como para apenas alongar).

Vienna - Museu Quartier

Está sol; faz calor (acima dos 30 graus). Ha quem venha para aqui como quem vai à praia apanhar sol

Vienna - Museu Quartier

mas também quem traga o portátil e trabalhe (ou assim parece)

Vienna - Museu Quartier

há quem venha namorar ou apenas beber uma cerveja; quem venha "digerir" o que viu num dos museus ou quem venha actualizar o seu "diário" (eu, por exemplo).

Mesmo que fosse apenas por estes dois dias (ontem e hoje): visitas aos Museus Leopold e de Arte Moderna, já teria valido a pena vir a Viena... Mas vai ficar tanto por ver... Amanhã ainda venho ao Museu de Arte Antiga (ao mesmo nivel do Louvre, do British, do Prado...). O comboio para Bratislava so parte as 17h23, donde vou ter tempo.

Como estava um dia esplendoroso, logo pela manhã, resolvi "descer" ao centro da cidade por outro caminho que não o "habitual" (ao fim de dois dias já lhe chamo "habitual"?); de repente dou de caras com o Belvedere (o Versalhes aqui do burgo)

Vienna - Belvedere

atravessei os jardins de ponta a ponta (este tipo de jardins são sempre agradáveis, embora não faça muito o meu estilo); vim calmamente por aí abaixo e... outra surpresa: um monumento (monumental - passo o pleonasmo) "soviético" - erigido à memória dos soldados do exército vermelho que ajudaram a libertar a Austria do "fascismo" (repito de memória o que diz a placa pequena escrita em alemão, a placa maior está escrita em russo). Pois é, a Austria, acabou por ficar ocupada de 1945 a 55 pelos exércitos aliados.

Viena - Memorial to the soviet army


Passeando, com todo o vagar, chego ao Museu às 11h30. Com este tempo tão extraordinário, para estas bandas, é quase criminoso passar umas horas metido num Museu... Mas mais grave seria "perder" o MUMOK (e jé tenho, desde ontem, o bilhete comprado!)

Não vale a pena puxar pela memoria... Kadinski, Picasso, Klimt, Leger, Wharol, Klee, Christo, Rotella, Giacometti, Max Ernst, os hiper-realistas... estão cá todos (e mais os outros) - nem que presentes apenas com uma única obra - e claro, o Magritte (este "claro", tem a ver com uma queda muito especial que tenho por este pintor: não está aqui o "Ceci n'est pas une pipe", mas um quadro que não conhecia "La voix du sang" - se a memória nao me falha - este tipo fascina-me de facto...)
E há ainda videos de happenings dos anos 60/70, e videos experimentais recentes... Isto é demais!

Percebi que o bilhete é valido para o dia inteiro, portanto saio para "arejar" e comer, dar uma voltinha por este complexo de Museus e Galerias

Vienna - Museu Quartier -

defronte do MuseumQuartier há ainda mais dois museus instalados no que foram palácios imperiais e mais um jardim soberbo a separá-los.


Volto ao MUMOK e estou ainda mais hora e meia. Dou por findo o meu "mergulho cultural a grande profundidade" do dia.
Tenho que voltar ao "terra a terra": são horas para ir buscar a roupa ah lavandaria...


(enquanto espero o jantar)
Vamos lá ver se hoje me safo! De fora o restaurante, defronte da estação de comboios) pareceu-me "verdadeiro" (isto é, para consumo do austríaco comum, e não para turista), espreitando pela janela percebi que não estava às moscas.
Entro e sento-me: afinal as pessoas estão é a beber cerveja e a conviver; ninguém está a jantar... começo a nao achar piada. O empregado estende-me a lista; digo-lhe que quero comer qualquer coisa verdadeiramente austriaca - o tipo aconselha-me um prato que, tanto quanto percebi (este é dos que tem uma pronúncia austríaca cerrada!) tem carne de porco, batatas e salada. Ok. Experimente-se, e logo se verá.

Wouw! Nada mau! Pelo menos soube-me muito bem. Só espero que não me aconteça o mesmo que anteontem! O Wienerschnitzel deu-me volta à tripa e vi-me aflito para chegar ao hotel são e salvo.
Hoje foi claramente um prato austríaco: lombo de porco assado com "knödel" (uma mistura cozinhada com pão, batata, e outras coisas que não consigo distinguir) e salada de batata. Bom, aqui, quando se trata de batatas nao se lhe chama "kartofell" como na Alemanha mas sim "erdeapfell" (tradução literal: maçãs da terra - muito mais simpático...); depois quando se fala de salada de batata, aparece uma salada com batata, de facto, e ainda alface, couve roxa, pepino, e sei lá mais o quê, temperado com um "vinaigrette" (com um vinagre ligeiramente adocicado) - excelente!
Portanto, se isto não me der volta ah tripa, fica aprovado. Com excepção do "expresso" que nao é mais que uma aguazita a saber vagamente a cafe...
Nao se pode ter tudo, não é?

Private:
1 - Madalena, espero que já tenhas vindo a Viena, senão é urgente que venhas!

Vienna

2 - Há alguém que vai ter que me ensinar a fazer uns exercicios para "aplanar" a minha barriguita!
3 - Elas, por estas bandas, são muito altas e muito grandes; deve dar uma trabalheira dos diabos tratar convenientemente de tudo...

Boa noite!

quarta-feira, agosto 17, 2005

Viena - 2 (actualizado com fotografias)

(adenda ao dia de ontem)
Não resisti e comprei um CD com valsas do Strauss e aberturas de operetas do Léhar e outros... Nada que não tenha já em Lisboa... mas comprado mesmo em frente à Opera de Viena vão ter outro sabor...

Vienna - Karajan Platz

(hoje à tarde)
Hehe! O Danúbio não é azul!

Vienna - The Danube (is not blue)

É cinzento/esverdeado. Quando voltar a ouvir a valsinha do Strauss é melhor lembrar o Tejo...

(numa esplanada às 19h)
Logo pela manhã deixei roupa na lavandaria: convém. Tive que comprar uma mochila nova; a minha, a "clássica", rompeu-se lhe uma alça... tive pena: fez comigo várias voltas a Londres, Paris, acompanhou-me agora a Berlim, depois a Praga e ainda fez um dia em Viena... estava à espera de ainda a levar a Budapeste...)
Acabamos sempre por estabelecer relações afectivas com alguns objectos.



O MuseumQuartier é um complexo cultural - mais de 60 mil metros quadrados de museus, e galerias de arte.

Vienna

Diferente no aspecto da "Ilha dos Museus" em Berlim; acho que o ultrapassa, talvez por tudo estar mais interligado. Uma série contigua de antigos palácios, estábulos imperiais, etc. (do sec.XVIII para cá), rodeando um patio onde entretanto construiram, de raiz, mais dois museus: o Leoplod Museum

Vienna - Museum Quartier

e o MUMOK (Museu de Arte Contemporanea).

Vienna - Museum Quartier -

Queria ver o MUMOK e, no Leopold, a exposição "Die nackte Warheit" (tradução livre: "A verdade da nudez". Com obras do Klimt, Moser, Kiloschka, Schiele (grande revelação, para mim) e outros.

Resolvi-me por esta exposição, embora tivesse comprado um bilhete "duplo" (metade do preço) para os dois museus! (estas coisas que não encontramos em Lisboa...). Hoje a exposição do "escandalo" (Klimt e companhia), amanhã o MUMOK.

Vienna

Espectacular! Estes tipos acabaram por se interessar pelo corpo, num sentido mais sensual e até sexual - o Freud começa a dar que falar neste principio de século - é curioso como eles têm de explicar perante tudo e todos a diferença entre o pornográfico e o artístico. O Schiele acaba por ser preso por trazer meninas (menores) para o seu estúdio e retratá-las (só? pergunto eu...). E pinta-as com uma sensualidade nunca vista, expondo sem rodeios toda a sexualidade - não admira o escândalo (sobretudo para a época). E toda a exposição muito bem enquadrada na época, para que nos apercebamos do porquê do escândalo...

Acabei por sair do museu às 2 da tarde - penso não ser possível prolongar por mais de três horas o prazer de uma visita desta natureza.


Depois do passeio a pé até ao Danubio; "flanar" pela cidade...

Vienna - Stephansdom

Vienna

(ao fim da tarde)
Sem querer vou dar à Michaelplatz! Estes acasos que acabam por dar "sal e pimenta" às minhas viagens.
Hoje de manhã na exposição havia uns esboços e maquette de um edifício (mil novecentos e muito pouco) que tivera feito escândalo na altura; tratava-se de um projecto para uns grandes armazéns, que se situaria perto dos palácios imperiais - uma arquitectura "lisa", sem ornamentação de espécie alguma; depois de grandes polémicas públicas as obras acabaram por ser embargadas; o projecto é finalmente discutido no parlamento e a sua construção acabou por ser autorizada desde que se pusessem flores nas janelas (alguma ornamentação!)! O edifício parece-me, pela maquette e esboços o mais "inofensivo" possível; no entanto gostaria de o ver. Pergunto à guarda da sala se ela por acaso saberia se aquele edifício ainda existiria. Que não sabia, que muito provavelmente teria sido destruido durante a guerra, que nunca o tinha visto, mas que não me poderia dar qualquer certeza. Não voltei a pensar no assunto...
Ao fim da tarde, ao virar de uma esquina entro num largo, por acaso, e ai está ele!

Vienna - Michaelerplatz -

Completamente "pacífico" para os dias de hoje, com flores nas janelas!, com umas arcadas direitas rectas a marcarem a diferenca! Fico contente por me ter acontecido mais este acaso.

Boa noite.

terça-feira, agosto 16, 2005

Viena - 1 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar)

Ontem à noite o susto! Perdi a carteira com todos os documentos, cartões, etc. Mas nunca entro em panico: "allways keeping it cool!" Tudo na vida se resolve.

Quando fiz o check-in no hotel deram-me um cartão (tipo multibanco) com um chip que me daria acesso quer ao quarto do hotel quer à porta do hotel, já que às 19h fecham a porta e não há ninguém na recepção.

Eis que à noite, quando chego, não encontro a minha carteira. Despejo e revisto a mochila 5 vezes, revisto as algibeiras outras tantas... E nada!
Terei deixado no quarto, antes de sair? Tenho quase a certeza de a ter trazido comigo. Mas tambem não me lembro de alguma vez ter precisado de qualquer coisa da carteira, nem sequer da mochila... Mistério.
Há de haver uma maneira de entrar no hotel e amanhã lá terei de resolver o problema, não tanto da carteira, mas mais do seu conteudo: B.I., cartões de crédito, cartões multibanco, etc.
Ao lado da ranhura para o cartão/chave do hotel há um intercomunicador para "ajuda". Do outro lado uma voz ensonada; explico que perdi o meu cartão, o tipo do outro lado pergunta-me se sou o cliente do quarto 115. E eu havia de me lembrar? O nome. Ok. Confere.
"A polícia encontrou a sua carteira, nao se preocupe, prima os botões tal e tal, e a caixa do correio abre-se, aí vai encontrar o cartão de acesso ao hotel e ao seu quarto, encontra também uma nota de 20 euros para o táxi no caso de necessitar, e amanhã dirija-se à recepção, devolvemos-lhe a carteira. Boa noite."

Bom, pelo menos já tenho onde dormir, e encontraram a minha carteira... será que "sobrou" alguma coisa? Grandes ralações vou ter amanhã...


Hoje de manhã na recepção. O empregado, sorridente, avança acenando com a minha carteira. Diz-me que a polícia ao ter visto o cartão do hotel na carteira achou por bem vir trazê-la: tinham na encontrado no chão, ali por perto; e já agora que eu visse se faltava alguma coisa.
É que nao faltava rigorosamente nada! "Gott sei dank!" exclama o recepcionista (trad.: "Deus seja louvado!")
Está lá mesmo tudo!
Nao faço a mínima ideia como terei perdido a carteira; pensando agora melhor, talvez tivesse sido quando saí do hotel e tirei de dentro da bolsa da mochila o mapa da cidade para me orientar... é a única explicação que posso encontrar.
Acrescenta o recepcionista ainda: "olhe que isto não é nada habitual!"
"Gott sei dank!" - repito eu aliviado.


Bom. O dia: começou chuviscando - chatice esta mania de chuviscar! porque é que não pode chover tudo de uma vez? - hehehehe


Apesar de tudo, quando começa a chuviscar mais persistentemente meto-me na exposição do "Goya bis Picasso".


Uma exposição excepcional de uma colecção particular! Obras do Goya e do Picasso (evidentemente) mas também (e digo agora de cor, sem qualquer ordem especial, e sei que vou falhar muitos) do Ingres, Cezanne, Van Gogh, Matisse, Manet, Delacroix, Giacometti, Schiele...

(Schiele - "Auto-retrato")

De tarde está um tempo bastante razoável; dou umas voltas pela "baixa" (muitos italianos e espanhois).


Tento ir até ao Danúbio, mas recomeça a chuviscar começa a fazer-se tarde e frio. Adio para amnhã: ver se o Danúbio é mesmo azul... (reparei entretanto que há outras exposições que não posso perder...)



O tipo aqui do cyber-café quer fechar o "estaminé": são onze...

Boa noite!

segunda-feira, agosto 15, 2005

Viena - 0 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar)

Cheguei a Viena perto das cinco, com a mesma chuva com que deixei Praga. Espero que o tempo melhore.


Eu sei que deveria ter comido ao jantar qualqer coisa como Wienerschnietzel (ou algo de semelhante), mas não... acabei por jantar num restaurante tailandês...
(acho que vou ter que ensinar à minha empregada pratos chineses, coreanos, tailandeses... )
O jantar foi óptimo. Só foi pena nao ter tido uma velhinha tailandesa a conversar comigo e a aconselhar-me o que comer... é que as empregadas fazem-no por profissão e não com o gosto da coreana de ontem.


Primeiras impressões (nocturnas) de Viena: cidade da música! Sem dúvida! nao deu para ver muito, mas percebi rapidamente que é uma cidade que cultiva, nem que seja para turista, a música clássica; anúncios por todo o lado chamam a atenção para concertos com artistas de primeiro plano...
E depois, sem querer, na minha primeira pequena incursão pela cidade dou de caras, ao fim de cinco minutos, com o edifício da Opera!


É tão engraçado o alemão falado pelos austríacos! Pronúncia mais cantada e menos agreste. Lembro as operetas do Franz Lehar que por vezes oiço em casa.


(do Diário de Bordo - ainda em Praga)
Espero no restaurante do hotel pelo táxi. Não que a estação seja longe - 10 minutos a pé se tanto - mas chove. Não uma chuva miudinha como a de ontem, mas chove. E depois há a mala - com mais tretas do que o necessário... (desculpa esfarrapada: não sabia que tempo iria encontrar, donde... trouxe de quase tudo!)


Levo boas recordações de Praga, a todos os níveis (ou quase).

Fico com a impressão de que Praga (ou toda a Republica Checa?) esta em transformação, nao tanto urbanística e arquitectonicamente - Berlim, pelo contrário está - mas mais pelas pessoas, pelo ar que se respira. Apenas tenho como comparação Sofia há um bom par de anos atrás: cidade cinzenta, pessoas cinzentas (amorfas? tristes?). Agora em Praga se por um lado se sente a iniciativa privada a funcionar em grande força, continua a encontrar-se "funcionários" (os empregados das casas de banho públicas são, para mim, o paradigma).
Percebe-se que há o cuidado na perservação dos edifícios mais antigos (a arquitectura do início do sec.XX tem uma beleza muito especial e prolonga-se ao longo de imensos quarteirões)


mas depois, repentinamente, encontra-se, paredes meias, enormes edificios, maciços, de arquitectura "sovietica"; em prédios de habitação ou edifícios de serviços, alto-relevos "elogiam" as classes "operárias", os agricultores, os soldados e até os intelectuais - mas tudo cinzento pelo passar dos anos, não limpam a fachada há que tempos, o que torna tudo mais cinzento ainda (alguma espécie de vergonha ou remorso? de querer esconder ou esquecer o passado?).


a contrastar, de modo muito gritante, peças de arte contemporaneas, arrojadas, espalhadas sobretudo pelo centro histórico da cidade.


E agora Viena! (espero por um tempo menos chuvoso)

Boa noite!
 

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