quinta-feira, setembro 01, 2005

Memória - Berlim 1

Depois de actualizar o "post" referente ao 1º dia em Berlim e de ter identificado todas as fotos refrentes a Berlim:

A primeira impressão com que fiquei, e que vim a confirmar posteriormente, é que Berlim é uma cidade com uma quantidade enorme de emigrantes, na sua maioria turcos - aproximam-se eleições gerais na Alemanha: encontrei vários cartazes de candidatos com nome turco (sobretudo em zonas habitadas por emigrantes).
O primeiro dia deu para começar a "entender" a cidade (em termos urbanisticos e arquitectonicos): a arquitectura "de antes da guerra" (sobretudo do início do sec.XX) convive, ombro a ombro, com uma arquitectura contemporânea, por vezes arrojada (o meu post de 7 de agosto refere e tem fotos da Igreja de St. Canisius - encontrada, completamente por acaso: um "caso"), outras completamente minimalista.

Berlin - Charlottenburg


BERLIN - CHARLOTTENBURG


Berlin - Nollendorfstrasse


Berlin - Nollendorfstrasse


Berlin - Kleistrasse


Berlin - Zoo zone


Vim, mais tarde, a reforçar a ideia do arrojo de alguma arquitectura (quarteirões inteiros) na zona "fronteira" ao ex-muro.


Depois, cedo percebi que é uma cidade que não esquece (não quer esquecer ou não pode esquecer?) a guerra. Questão: a "cidade" enquanto habitantes ou enquanto entidades?

Desço o Kurfürstendamm, cheio de lojas de renome, e pequenas obras de arte

Berlin - Kurfürstendamm


Berlin - Kurfürstendamm


e de súbito avisto a "Gedächtniskirche".

Berlin - Gedächtniskirche

Igreja-simbolo dos bombardeamentos da II Grande Guerra. De perto o esventramento arrepia: os "buracos" que foram vitrais, algumas paredes parcialmente desfeitas.

Berlin - Gedächtniskirche


Berlin - Gedächtniskirche


Berlin - Gedächtniskirche


Berlin - Gedächtniskirche


Berlin - Gedächtniskirche


(Construiram, nos anos 60 uma igreja ao lado: torre octogonal; ora esta construção "retira", do meu ponto de vista, "força" àquele destroço que é a Gedächtniskirche - daí ter recusado integrar tal torre em qualquer das fotografias das que tirei.)


Depois continuando o passeio "ao sabor da corrente", confirmo a excelência na arquitectura contemporânea...

Berlin - Charlottenburg


Berlin - Zoo area


Berlin - Kurfürstendamm


Berlin - Kleistrasse


Berlin - Tauentzienstrasse


Passo por algumas estações de metro "antigas"

Berlin - Metro station Wittenbergerplatz


Berlin - Metro station Nollendorfplatz


Berlin  - Nollendorfplatz Metro station


Berlin - Metro station Wittenbergerplatz


Acabo o dia jantando "vietnamita" (no mesmo restaurante que da véspera) já que não consegui encontrar um restaurante "alemão"... Esta "história" dos restaurantes não-turísticos há-de repetir-se ao longo de toda a viagem...

Lisboa (finalmente as fotografias!)

Já tenho as mais de 2000 fotografias no computador, as de Berlim convenientemente identificadas e a maior parte dessas no site de onde reencaminho para aqui.

Resolvi adaptar a seguinte metodologia: publicar as mais "ilustrativas" e directamente ligadas ao diário inserindo-as nos respectivos "posts"; publicar as outras "retrospectivamente", isto é, em novos "posts", com eventuais comentários, mas respeitando a ordem da viagem.

domingo, agosto 28, 2005

Lisboa (já em casa)

Já quase não reconheço o teclado do meu computador: acentos, cedilhas... tudo no sítio...


Bom, como dizem os ingleses "it's over!"

Flying over Portugal - Caparica (beach close to Lisbon)


Viagem sem incidentes. Lisboa com uma temperatura a que já não estava habituado.
O mesmo táxi, o mesmo falar, as mesmas ruas, a mesma casa.

Desfeita a mala, restam as fotos (que hei-de descarregar e pô-las no blog, como é devido), e resta, o mais importante, a memória destas três semanas. Memória ainda fresca que o tempo irá peneirar... daqui por uns tempos hão de restar algumas imagens e farrapos de memórias dispersas que hão de despertar a nostalgia da aventura que foi. E a vontade para uma próxima.

Aventura próxima que já está pensada: Países Bálticos... Estónia, Letónia, Lituânia; e mais um salto a Helsinquia e outro a São Petersburgo?

Não há nada como sonhar... depois concretizar... depois guardá-la na memória.


Ainda ontem acabava os posts com um "boa noite". Hoje termino com um "Até à próxima".

sábado, agosto 27, 2005

Colónia - 1 - último dia de férias (actualizado com fotos)

(do Diário de Bordo: ainda ontem)

Ontem ao meio da tarde, ao passar numa rua da "baixa" oiço, literalmente: "Oh pá!, vai à merda e não me chateies! Olho para o sítio de onde vem esta exclamação: um café com esplanada; empregados de aparência tipicamente portuguesa. Como tinha acabado de beber um "expresso" bastante razoável num café "italiano" (o empregado deve ter me confundido com um compatriota, e quando lhe perguntei quanto devia, disse-me o preço em italiano - paguei sem pestanejar), mas este café "português" ficou locelizado.

Depois do jantar, bem alemão: salsicha com choucroute e batata cozida (estava uma delícia) vim beber a bica aos "portugueses"; claro que pedi uma "bica bem tirada" em português... foi só sorrisos e simpatia e uma "grande bica" mesmo bem tirada... isto não há nada como saber o que é uma verdadeira bica.
Os empregados são da zona da "serra" como me disseram, depois vim a saber que de Seia... "E então o queijo da Serra"? Quando precism de alguma coisa mais portuguesa (bacalhau, azeite, queijo, etc.) vão ao "comércio" - foi assim que disseram - português).
Amanhã volto; fiquei cliente.



(Hoje, último dia em Colónia e último dia de férias)
Comecei por me despachar rapidamente e chegar ao café.

Köln (Cologne) - the Cathedral


Ainda estavam a abrir (embora fosse perto das 9) - estranhei, já que em Budapeste a maior parte do comércio abre às 6h30, e tudo está já aberto as 7h!). Santa "bica", logo pela manhã!, o empregado fez questão em me oferecer a bica!

Colónia nao é uma cidade dos roteiros turisticos: para além da Catedral, que continua a ser esmagadora - é que mal se sai do metro apanha-se logo com "aquilo" em cima, nao há um aproximar progressivo... é impressionante - nada mais de "relevante" há a visitar...
Colónia é uma cidade vocacionada para grandes exposições e congressos (tanto quanro percebi).

Espreitando no mapa os "sítios" recomendados, para além da Catedral, de um passeio turistico de barco pelo Reno (que não faz o meu genero), há ainda o museu da cidade (não me parece especialmente interessante - embora estivesse hesitante quanto a uma exposição fotográfica sobre Colónia sob o nacional-socialismo), um museu do chocolate (isso mesmo!)... e pouco mais.

Nada melhor que embrenhar-me sem rumo pelas ruas, para fora da "baixa".

Köln (Cologne) - traditional architecture


Ou tenho um "feeling" do "caraças" ou uma sorte "do caneco"... fui dar a um mercado de rua, numa enorme praça, onde se vendem apenas produtos biológicos; só funciona aos sábados de manhã. Queijos e charcutaria (aproveitei para tratar do meu almoço!), frutas e legumas, toda a especie de carne, pão... tudo (so não encontrei peixe!). Tudo devidamente autenticado como sendo biologico.


Passo um edificio relativamente grande, mas não alto, de arquitectura moderna, muito bem desenhado, muito bem integrado

Köln (Cologne) - Maternushaus


dou a volta ao quarteirão para o apreciar de todos os ângulos; a entrada principal - um jardim - atraente e convidativo. Uma placa identificativa "Maternushaus" faz-me pensar que talvez seja uma maternidade; entro no átrio e vejo uma pequena placa indicando que o edificio teve o prémio para a melhor arquitectura de 1985, não resisto a entrar; uma ampla recepção cheia de cadeiras e sofás, diria o "lobying" de um hotel, um balcão com duas meninas que me dão logo os bons dias... Pergunto-lhes que edificio é este onde estou; a resposta vem imediata e surpreende-me: uma casa de repouso, um hotel para os habitantes de Colónia quando estão sós... Não, não é exclusivamente para idosos - responde-me a menina simpaticamente... Qualquer habitante de Colónia que desconte para a Segurança Social... Porque "Maternushaus"? - porque naquele sítio, antes de construirem essa casa de repouso existia uma maternidade... Nao perguntei mais nada.


Encontro uma grande avenida (tipo Av. da Liberdade - mesma largura - metade do comprimento) está vedada ao trânsito, vários stands estão a ser montados a todo o comprimento de ambos os lados - não faço a mínima ideia para quê; na praça a que dá acesso (Restaudaores e Rossio juntos) mais stands, num enorme palco montado (percebo que para um concerto) fazem-se testes de som. Acabo por perceber que a partir da 1h da tarde e até à noite (24h?) vai haver festa: concertos de rock, patrocinado pela estação oficial de Rádio de Colonia. Mais tarde venho a perceber que noutros palcos montados ao longo da tal avenida outros concertos terão lugar, patrocinados por empresas internacionais: Sony, Vodafone, Playstation...

Alomoço novamente à beira Reno - não avisto valquirias, nem nenhum Wotan a guardar o "ouro do reno"...


Descubro uma outras Colónia, mais neutral, com alguns, poucos, edificios antigos

Köln (Cologne) - traditional architecture - Zeughaus


(Colónia foi fortemente bombardeada durante a guerra... - mais uma vez a II Grande Guerra)

Köln (Cologne) - Memorial for Edith Stein death in Auschwitz


algumas construções mais modernos e de arquitectura bastante interessante

Köln (Cologne) - contemporary architecture - WDR

a grande maioria data dos anos 50-70 e são sobretudo de habitação pretendendo ser eficazes (de construção rápida e barata).

Köln (Cologne) - Frankfurter Strasse


Ao fim da tarde regresso a praça onde se desenrolam os concertos: o normal para eventos do género - muita gente, gente de todas as idades, muita cerveja, muita comida variada... bem policiado, ate uma viatura de socorro a náufragos havia - é que há um lago nessa praça (mais pequeno que o do Campo Grande) - a eficiciência alemã a funcionar...

Köln (Cologne) - Ringfest - 17 august 2005


Fico um pouco. A banda que está a actuar não me parece ser grande coisa - até pelas reacções (frias, embora nãos hostis) do público.

Köln (Cologne) - Ringfest - 17 august 2005


Köln (Cologne) - Ringfest - 17 august 2005


Amanhã regresso: por volta das 12 horas devo aterrar em Lisboa.
Boa noite!

sexta-feira, agosto 26, 2005

Colónia - 0 (actualizado com fotos)

Levantar (ainda em Budapeste) às 5h 30 - o táxi demora 40 minutos até ao aeroporto; check-in as 7...
É tudo muito cedo e a "bica" no aeroporto volta a ser uma aguazinha a saber vagamente a café...

Ontem à noite estive a estudar o mapa e penso que não vai ser tão fácil, como tem sido o costume, chegar ao hotel: é que fica longe do centro... Vamos ver o que acontece...



17h (em Colónia)
Não cheira a água!

Afinal cheguei facilmente ao hotel; embora afastado do centro nada de transcendente com o eficiente sistema de transportes que por aqui existe.

Esta passagem por Colónia tem a ver com a incompatibilidade de horários de aviões - "apenas" 10 minutos separam a chegada de Budapeste com a partida para Lisboa: não dá! Então, já agora, pelo menos um dia em Colónia, e não apenas uma noite.


Quando, depois do ritual costumeiro nos hoteis, volto para o centro da cidade, saio, do metro, na estação mais central e sou "esmagado" pela Catedral. Enorme.

Köln (Cologne) - the Cathedral at nightfall


Gigantesca. (pena estar em grande parte negra pela poluição; pena ter uns andaimes (aqui e ali) para limpeza...

Dou um passeio pela "baixa" que me leva ao Reno: é um nadinha mais azul que o Danúbio... (mas este não tem nenhuma valsa a dizer que é azul...)

Köln (Cologne) - the Rhine

Cidade que vou tentar perceber melhor amanhã. Uma volta pela "baixa" não dá para perceber uma cidade.

Boa noite!

quinta-feira, agosto 25, 2005

Budapeste - 3 (actualizado com fotografias)

Último dia em Budapeste - parto amanhã muito cedo: 7 da manhã no aeroporto.

21h35 (a quente)
Quando cheguei ela canta um "rap", passou depois para uma cançoneta dos anos sessenta - quando anunciou apenas percebi "Brigitte Bardot" - encadeou depois com qualquer coisa dos anos 30... Seguiu por aí fora, variando de estilo e de época.
Estou num pequeno anfiteatro no meio de um jardim - o publico é de todas as idades e proveniencias.

Budapest -

(agora algo que faz lembrar a Juliette Greco)
A rapariga esforça-se por agradar acompanhada por um baixo, bateria e teclas - mas não é "grande espingarda". Acaba por ser mais o ambiente que as qualidades interpretativas da rapariga que fazem a magia deste princípio de noite.
Termina dizendo umas coisa em húngaro que o publico aplaude (o que entende esta lingua estranhissima...)
Outro grupo prepara-se para actuar.

É um jardimzinho simpático - fez-me lembrar a Gulbenkian (em mais pequeno) - já que está muito bem organizado, tem algumas obras escultóricas espalhadas, um pequeno auditório subterrâneo e este pequeno anfiteatro ao ar livre onde me encontro. Dei por ele no primeiro dia; passei por cá agora por acaso a seguir ao jantar.

Budapest -

O grupo seguinte demora demasiado a preparar-se. Demais. Talvez passe por aqui mais tarde...



17h30 (do Diário de Bordo)
Como que para despedida, esteve um dia de sol e calor (27ºC). Desci devagarinho (este "desci" é uma força de expressão, já que Peste é quase plana) até ao rio, atravessei o Danubio - um nadinha azulado lá longe...

Budapest - Lánchíd (Chain Bridge)

Buda e Peste foram até meados do sec XIX duas cidades separadas pelo rio, até que a primeira ponte fixa foi construida - a das "correntes" (quando os pequenos guias turisticos falam de "ponte fixa", eu presumo que antes tenha havido outro tipo de pontes; talvez uma ponte das barcas como no Porto...). Depois foram-se construindo mais pontes - sete, conto no meu mapa de algibeira.

Peste contrasta com Buda; parece-me mais desinteressante - não subi (agora literalmente) ao castelo, mas a volta que dei por esta parte da cidade deu para perceber que é menos cosmopolita, menos "chique", mais "dormitório" (posso estar enganado: nao é com um passeio de uma manhã que se pode ficar com certezas). Muito mais habitação construida depis da guerra sobretudo dos anos 60/70: incaracteristica, monótona, embora de quando em vez quebrada por um quarteirão que podia estar em Peste.
Cidade curiosa, Budapeste: "Paris" de um lado, no meio o Danubio atravessado por pontes de diversos estilos, do outro uma como que "Alvalade" (obviamente diferente) como outra qualquer "Alvalade" de outra cidade qualquer...

Budapest - Buda side

De tarde, como o dia se manteve estupendo, resolvi aventurar-me, depois de ter atravessado o rio novamente, por Peste dentro; continuação dos "grandes boulevards", mas à medida que me afastava do centro, cada vez mais habitação para "operários" (anos 70) desembocando num enorme parque apelidado de "Parque do Povo".

É tarde. Já não volto ao anfiteatro do jardim.

Budapest - evening at Petörfi S. út

Boa noite!

quarta-feira, agosto 24, 2005

Budapeste - 2 (actualizado com fotografias)

(do Diário de Bordo)
16h15
Ainda no Museu de Arte Antiga. Dou por finda a visita, entrei pouco antes da 1h. Sento-me, agora, num confortável cadeirão do grande hall (brilhante ideia, a de espalharem cadeirões e fazerem do hall uma espécie de salão de 'repouso').

Ficou por ver a galeria greco-romana, as salas de pintura espanhola e italiana (outra vez? - já em Viena...)
Comecei por uma exposição temporária de gravuras do Dürer e seus contemporâneos

Budapest - Dürer's exibhition

interessante o que se fazia na altura na Alemanha: gravuras que coladas umas às outras formavam painéis monumentais, a tentar rivalizar com as grandes construções escultóricas italianas...
Uma rápida passagem pela secção dedicada ao Egipto - alguns túmulos de faraós, múmias, peças funerárias.
Depois a ala dedicada à pintura flamenga - continuação do Museu em Viena (?????). Estranho logo, o primeiro quadro: brancos muito brancos, linhas mais vivas, cores mais definidas, uma outra luminosidade, (ao perto: as pinceladas são bem perceptiveis). A "iluminação" deste museu também nao será a melhor... por vezes a luz é reflectida no vidro ou no verniz do quadro. Será da iluminacao, esta sensação estranha? Quase que garantiria que o quadro terá sido restaurado recentemente...
Continuo. De facto a luz do museu é mais intensa que a do museu em Viena, o que torna os quadros mais "luminosos". Quase que estou perante uma "outra pintura". O olhar habitua-se. Mas de vez em quando lá aparece um quadro ainda mais "luminoso" - começo a convencer-me cada vez mais do restauro de alguns.
Poucas obras dos "grandes nomes" da pintura flamenga (comparado com Viena), mas agrada-me o que vejo.

(continuado no dia seguinte já num teclado "internacional")

Um quadro desperta-me a atenção pelo insólito - o Cristo (a figura habitual que poderia estar em qualquer Igreja) "pousando" no atelier de uma pintora (deve ser caso raro - uma pintora no sec.XVI...), a cuja olha para a figura do Cristo mas pinta o Jesus recém-nascido, com Maria e José, adorado por pastores! Perfeitamente insólito: o modelo e o quadro, e ainda o facto do pintor ser uma pintora!

Finalmente ao fundo da última sala, a revelação do que me intrigava. Uma caixa para recolha de fundos e uma explicação (felizmente tambem em inglês): alguns quadros foram restaurados (segue a lista dos principais patrocinadores) e pede-se que o visitante contribua com algum dinheiro (a entrada é gratuita) a fim de se puderem restaurar mais uns tantos que não devem ser expostos devido ao seu estado de degradação.


17h45
Sento-me na esplanada "do costume".
esteve um dia sem chuva, mas com um céu cinzento; 17ºC ao meio dia (indicava um termómetro de rua). Andei todo o dia de anorak para a chuva na mochila debalde!
Fui passeando até ao museu, mas eis que ao virar da esquina a seguir ao cafe é que é mesmo o grande aparato: Caramba, agora sim! Filma-se!

Budapest

O quarteirao da rua esta cheio de carrinhas e camioes de catering, no quarteirão a seguir são roullotes, carrinhas e camiões de guarda-roupa, depois são os do material: só da Arri são seis, mais dois geradores igualmente da Arri... Isto é Hollywood transferida para Budapeste: quase toda a gente na rua de identificação ao pescoço. Um quarteirão encerrado pela polícia e por segurança privada. Não me entendo com um segurança de grande "caparro" que não me deixa fotografar o "back-stage". Aparece um tipo que fala igualmente inglês (da produção, certamente) - acaba por me dizer que não posso fotografar para o "set", mas que uma fotografia do aparato posso fazer "One picture only!". Ok, tenho o que queria.

Sigo para o Museu. Dou de caras com um mercado de construção bastante recente: linhas e cores alegres e atractivas.

Budapest - Market at Lehel tér
(ao que parece não é do agrado geral...)

Budapest - Market at Lehel tér

Entro. Quer por fora quer por dentro muito bem "esgalhado". Compro provisões para o almoço.

No caminho para o Museu um tipo - talvez da minha idade - desmonta de uma bicicleta e pergunta-me se falo inglês; quando lhe digo "a little bit" ele "responde, com um largo sorriso: "Oh my god! I love you!" Fartamo-nos de rir. É canadiano e quer saber se está na direcção certa para o Museu. Falamos um bocado e trocamos algumas impressões sobre as nossas viagens: ele veio com a mulher e filha de avião até Viena e depois fez o resto de bicicleta.
Acabo por saber, por ele, que em Portugal os fogos persistem...

O museu (por fora a lembrar o British, o de Berlim ou o de Viena - neo-clássico)

Budapest - Szépmüvészeti Múzeum (Museum of Fine Arts)

situa-se à beira de um enorme parque onde se encontram ainda mais uma série de palácios

Budapest - Városliget

outros pequenos museus e até termas para banhos (em funcionamento)...

Budapest - Városliget - Széchenyi baths
(é suposto não se puder tirar fotografias...)

Aproveito que não chove para dar uma volta.

Dou por uma exposição estranha: cartazes de publicidade forjada (como não percebo patavina de húngaro, apenas posso achar piada aos que não têm slogans...)

Budapest - Fake advertising exhibition
(venho posteriormente a saber que é um concurso)

É que depois da chuvada de ontem parece um sacrilégio enfiar-me num museu. Acabo por almoçar no parque e resolvo finalmente visitar o Museu de Arte Antiga.

Boa noite!

terça-feira, agosto 23, 2005

Budapeste - 1 (actualizado com fotografias)

(depois do jantar)

Se o jantar de ontem estava óptimo o de hoje excedeu todas as expectativas. Amanhã volto ao mesmo sítio.


Uma manhã excepcional. Céu limpo, sol radioso - o dia promete um bom passeio pela Budapeste desconhecida.
Confirmo a impressão de ontem à tarde: cidade cosmopolita, grandes avenidas, movimento, lojas, gente.
Nesta parte de Peste (margem esquerda do Danúbio) a arquitectura dominante ainda é, sobretudo, a do principio do sec.XX (dai fazer lembrar os "grands boulevards" de Paris).

Budapest

Pena haver alguns prédios (e não tão poucos) degradados, mas percebe-se que tem havido alguma reabilitação.
De repente o céu fica coberto de nuvens cinzento carregado (nunca tinha dado por mudança tão brusca) e desata a chover a cântaros.
Como estou à porta de uma loja de discos (oh, divina providencia!) entro. Entretanho-me a "bisbilhotar"; espanto: os CDs de origem húngara são mais caros que os das editoras internacionais...

Sinto igualmente na cidade um reconhecimento pelos músicos que por aqui passaram ou viveram (os da clássica, bem entendido!): placas nas fachadas dos edificios, pequenos ou grandes bustos ou monumentos a lembrar Liszt

Budapest - Ferenc Liszt Music School
(claro: Liszt, húngaro a 100%, com direito a busto no Conservatório de Música!)

Bartok, Erkel e tantos outros; mas não faço a mínima ideia do porquê dessas homenagens - as placas estão em húngaro, língua que é me completamente estranha, nem por aproximação vou lá... Porquê uma placa ao Wagner? porque dormiu nesta casa? terá composto algum trecho de ópera aqui? (inclino-me mais para a primeira opção...)

A chuva parece abrandar, aguardo mais uns minutos e de súbito novamente céu limpo e sol. Continuo o passeio a desvendar Buda. Chego à ponte das "correntes"

Budapest - Lánchíd (Chain Bridge)

- não faço a mínima ideia da tradução literal, o mapa em inglês chama-lhe "chain bridge".
(Mais tarde fico a saber que a tradução é mesmo literal; os húngaros chamam-lhe igualmente "Ponte das correntes")


Nem aqui o Danúbio é azul! (Viena, Bratislava e agora Budapeste)

A seguir ao meu almoço com vista para a ponte da "liberdade" - a que eu gosto mais

Budapest -

o céu volta a encobrir-se e recomeça a chover a sério; abrigo-me num portal. Quando amaina um pouco aventuro-me mais além; ao fim de meia hora, penso que não foi para apanhar chuva que vim ate Budapeste. Olho o mapa e percebo que estou perto do "Museu de Artes Decorativas" (não estava nas minhas intenções, mas porque não?). A chuva é miudinha mas persistente. Quando volto a esquina para a rua do museu: grande aparato - projectores potentissimos montados em gruas iluminam umas janelas do 2º andar do Museu

Budapest

já percebi: filmam... e o museu está encerrado ao público (óbvio!) - um alemão nao deixa de desabafar um "Scheise!"

Chego ao hotel; sinto-me húmido da cabeça aos pés; tomo um duche, mudo de roupa e sinto-me outro.

Penso num possível sítio abrigado - museus, já não vale a pena (passa das 4h). O "maior shopping da europa"... (se eles o dizem... Todas as cidades têm o seu "maior" ou "mais significativo" qualquer coisa...)

Budapest -

Vamos a isso. De facto é enorme; as lojas de marca do costume, mais umas tantas outras, cinemas, cafés, restaurantes, casas de jogo, livrarias... o costume...
Ao fim de uma meia hora dou que já não chove. Saio.


Uma rectificação ao que ficou dito ontem: esta gente ainda nao é completamente eslava - muita dela tem traços aciganados; estou mais uma vez numa qualquer fronteira...


20h
Encontrei uma "tasca" que não me parece nada mal; encomendei a tradicional "gulyas leves" (sopa de gulash) e outro prato tradicional frango com chouriço (húngaro; tem muito pouco a ver com o português) e paprika... Yummy! Yummy!


Se amanhã estiver de chuva (a previsão metereológica assim o prevê) vou ao Museu de Arte Antiga - museu que não quero perder.

Boa noite!
 

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